Rio Revolta

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A Seleção Brasileira na Copa 2010

Seleção de Dunga

Muitos volantes, nenhuma direção

Após 1 mês de sepulcral silêncio, apaziguado pelo maior espetáculo da Terra, Rio Revolta retorna com um tema lúdico, um resenha futebolística de palavras fortes. Desperta amargurado e enfurecido pela derrota da seleção nacional na Copa 2010.

Vamos então fazer um breve passeio sobre as causas deste fracasso (que não se deve propriamente à derrota, mas sim à banalidade desta).

O futebol brasileiro, em Copas do Mundo, só perde para si mesmo. Basta aliar talento e disciplina, torna-se imbatível. Convoque-se 23 jogadores, 18 ou 20 peões de obra, regulares, e mais 3, 4 ou 5 talentos excepcionais, e somos campeões.

Em 1994, um elenco limitado, mas disciplinado taticamente e com dois gênios no ataque: Romário e Bebeto.

Em 1998, não tivemos o primeiro, mas tivemos o segundo. Fez mais uma brilhante Copa, mas tínhamos Júnior Baiano na zaga e existem forças maiores que parecem não permitir que jogadores como este vençam um título mundial.

Em 2002, geração de talento acima da média, o melhor técnico de cultura latina existente no mundo e 3 gênios: Rivaldo, Ronaldo e o Gaúcho. Título e melhor campanha da história das Copas.

Em 2006, time talentoso, mas sem disciplina.

Em 2010, time disciplinado, mas sem talento.

A crônica da derrota começou a ser escrita por Dunga na convocação para a Copa. Grafites e Donis não importam: não fariam mesmo qualquer diferença, curtiram um safári na África. O problema estava nos 8 meio campistas, 6 volantes, e se lembrarmos que Julio Baptista era volante, e dos ruins, no São Paulo, tornam-se 7; um único armador, Kaká, que nem tão armador assim é, tratando-se mais de um rápido carregador de bola do que um passador preciso.

Nos veículos automotores, volante é aquela peça ou mecanismo através do qual o condutor imprime a direção desejada ao conjunto da máquina.

Pois bem, no futebol, talvez o volante devesse servir para a mesma coisa, talvez tenha o seu nome vindo desta mesma idéia. Infelizmente, porém, na seleção brasileira de Dunga, sobraram volantes mas faltou direção.

É complicado condená-lo pois, até então, aparte o atropelamento sofrido pelo nosso time olímpico pela Argentina, tudo vinha dando certo. O problema é que Dunga, tão aferrado à sua idéia de coerência, esqueceu que ser coerente é ser dinâmico, pois a vida é dinâmica. Preferiu ser estático, como se a vida fosse estática.

Convocou seus homens de confiança. Nada contra, confiança é fundamental, sem ela não se ganha, mas futebol é momento. Basicamente o mesmo time que foi humilhado por Honduras na Copa América no final de 2001 ganharia a Copa do Mundo poucos meses depois.

Dunga não poderia jamais ter se dado ao luxo de não levar jogadores em momento muito melhor do que outros de sua “confiança”: Hernanes, do São Paulo, poderia ter sido um belo volante que sabe sair pro jogo, destes que efetivamente dão direção ao time; Ganso, do Santos, seria um perfeito armador reserva para a Seleção, ao mesmo tempo dando experiência ao garoto e aliviando pelo menos um pouco da responsabilidade sobre Kaká.

Se futebol é momento, determinadas exceções também podem fazer bem. Apesar de toda sua falta de seriedade e comprometimento, Adriano é um jogador técnico, artilheiro, extraordinariamente forte fisicamente, de fama mundial, que mete medo nos adversários, Argentina que o diga; Ronaldinho Gaúcho, um fanfarrão, também poderia estar lá, ao menos como opção no banco de reservas. Jogadores que Dunga não poderia ter deixado de fora.

Levou um time mediocre, limitado; jogadores de times gregos, turcos, do depauperado campeonato alemão, as vezes até reservas. Suas apostas repousaram em Luís Fabiano, que é um bom atacante, mas apenas bom e que em nada lembra outros camisas 9 do passado; Robinho, um artista de circo mais que um jogador de futebol, mas que não chegou a decepcionar na Copa, fez 2 gols e assumiu a responsabilidade em alguns momentos; e Kaká, a barbie da Gilete que, como bad boy, mostrou-se um perfeito evangélico.

Tudo isto é muito, muito pouco para um selecionado representante do futebol brasileiro. Mas mesmo muito pouco, tudo isto vinha funcionando até então. Estávamos nas quartas de final. Chegamos, então, no ponto que queríamos. No meio de todos aqueles volantes, um era a expressão máxima desta contradição, de volantes sem direção.

Felipe Melo.

Este nosso gênio descoberto (inventado?) por Dunga que disputou jogos de COPA DO MUNDO como se fossem contra o Madureira, pelo estadual do Rio. Nada contra o Madureira, mas em termos de expressão regional é um time do segundo escalão.Trazendo para jogos de COPA DO MUNDO rivalidades sabe-se lá quais, sabe-se lá de onde. Trocando pancadas com o “português” Pepe na base do toma lá dá cá.

Infelizmente, neste jogo só lhe deram amarelo. O segundo em 3 jogos. Suspenso, não jogou contra o Chile. Entrou Ramires, e que diferença fantástica! Um volante que finalmente deu esta direção – diga-se de passagem, ofensiva – ao time. Jogada brilhante no terceiro gol. Felipe Melo teria que renascer algumas vezes para esboçar algo daquele tipo.

Dunga não tirou Ramires de campo a tempo, contra o Chile, antes deste tomar o cartão amarelo e ser suspenso. Talvez de propósito. Sem a possibilidade de ter Ramires, ninguém encheria seu saco quanto ao retorno de Felipe Melo.

Felipe Melo entrou em campo, contra a Holanda. Pra que? Pra já dar uma primeira porrada, num holandês sem bola, com 2 ou 3 minutos de jogo. Minutos depois, deu um passe primoroso para o gol de Robinho. “Pode ser que eu esteja implicando com o cara”, pensei. Mas não estava, Felipe Melo é Felipe Melo. Seguiu em seu inabalável curso, seu grande projeto de COPA DO MUNDO 2010: demonstrar toda a sua falta de consciência, a sua boçalidade.

Atrapalhou-se com o goleiro Julio Cesar no gol de empate dos holandeses. Um dos gols mais patéticos que já assistimos numa COPA DO MUNDO. Julio Cesar, “melhor goleiro do mundo” que falhou de forma bisonha e inacreditável neste lance. Mas cansou de salvar o time em inúmeras oportunidades. Tem crédito, todo o crédito, e seguirá sendo nosso goleiro.

Mas Felipe Melo ainda não estava satisfeito. Alguns minutos depois, falha na marcação e apenas observa Sneijder virar o jogo para a Holanda. De cabeça, do alto de seu 1,70 de altura. Ouvi dizer por aí, seu primeiro gol de cabeça. NA CARREIRA.

Acabou? Não, não acabou. Mais alguns minutos, faz falta e não satisfeito agride covardamente o holandês Robben, caído no chão. Expulso com toda a justiça do mundo. Sepulta de forma definitiva a seleção. Não satisfeito em gerar a derrota, ainda mancha o time com seus atos de vandalismo e barbárie.

A seleção brasileira não saiu da COPA DO MUNDO apenas derrotada, saiu sem dignidade. Time violento, de botineiros.
Felipe Melo joga no lixo toda uma história, disputando (mais) um jogo de COPA DO MUNDO como se fossem peladas de colégio. Vai lá e dá uma porrada no babaca da turma 306, revide de uma entrada dele no jogo de 15 dias atrás. Este é o nível do débil mental. Não tem consciência do que representa, do papel a ser cumprido.

Crônica de uma tragédia anunciada.

Qualquer espectador dos jogos do Brasil nesta COPA DO MUNDO 2010 sabia que Felipe Melo pedia, implorava por ser expulso em algum momento. E foi. No momento decisivo. Só Dunga não percebia isto. Devia estar vendo outros jogos, e não os mesmos que nós. É possível compreender o engano de Dunga, que julgou ter reencontrado sua juventude em Felipe Melo. Já que não podia mais entrar em campo, que mandasse sua imagem.

Engano imperdoável. Entre Dunga e Felipe Melo, nada a ver. Dunga, apesar de meio babaca, tacanho, é um elemento digno, não era desleal como jogador e fez carreira fantástica, vitoriosíssima. Capitão do Tetracampeonato.

E Felipe Melo, bem, é o Felipe Melo. Que os próximos técnicos tenham a dignidade de jamais permitir novamente este nível de banditismo vestindo a camisa da seleção brasileira. E que algo ou alguém dê a este volante a única razão de sua existência, direção. Se serve de consolo, melhor perder pra Holanda nas quartas do que pra Argentina na final. Deste escárnio não nos livraríamos nunca.

Que 2014 nos seja bem melhor. Na Copa no Brasil, a grande farra do dinheiro público.

Até lá.

Equipe Rio Revolta

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