Rio Revolta

Análise Política, Histórica, Econômica e Social

Por Stanley! Ou do Anti-comunismo rasteiro

Lulo-stalinismo nazista.

Lulo-stalinismo nazista.

O deputado evangélico Marco Feliciano, entre outras tantas pérolas que já conhecemos, proferiu em resposta aos que lhe queriam tirar da Comissão de Direitos Humanos, as seguintes palavras: “São homens e mulheres que usam dos mesmos mecanismos que Stanley usou no seu comunismo nazista. Usam da mesma linguagem de Hitler”.

Feliciano procurava associar a reação das pessoas ao seu discurso homofóbico e retrógrado com o que chamou de “comunismo nazista”.

O deputado considera que respostas hostis ao seu descarado preconceito e ignorância  são como censura ou pior, “repressão nazista”, “autoritária”. É como se repudiar o preconceito fosse algo preconceituoso, numa corruptela pós-moderna em algo como “ser anti-racista é censura e ataca o meu direito de ser preconceituoso”, considerando que a repúdia a um discurso de ódio não passa na verdade de “um ataque à liberdade”, transformando algoz em vítima e vítima em algoz, onde qualquer resistência é usada como justificativa para opressão: “Veja só como reagem, sempre falei que eram hostis!”

Essa “Reversal Pós-Moderna” – não é sua bota que pisa na minha cara, mas sua cara que me impede de pisar no chão” – é tão rasteira que dignificar um longo texto a esta perspectiva seria um exercício inútil e, portanto, vamos nos focar no final de sua pérola. Assim, nosso trabalho aqui se dedicará ao que tem de profundo em sua declaração, especificamente na invenção de um “comunismo nazista” por parte de Feliciano. Nos dedicaremos ao anti-esquerdismo rasteiro contido neste tipo de argumentação.

Ignorando  que ‘Stanley’ é certamente um erro aceitável (!) de pronúncia do deputado, Josef Stalin foi um algoz do nazismo, responsável direto pela derrota de Hitler na 2ª Grande Guerra. Entre vários importantes historiadores, das mais variadas vertentes, de John Lucaks a Eric Hobsbawn por exemplo, e até mesmo o New York Times queainda no período Mccarthista ressaltou a importância de Stalin na Segunda Guerra no obituário do líder soviético. E afinal, por mais que Hollywood tenha nos dado infinitos filmes sobre a importância norte-americana e poucos sobre os russos na derrota nazista, não foi uma bandeira soviética a flamular sobre o Reichstag, centro de governo de Hitler ao final da 2ª Guerra Mundial, na famosa foto de Yevgheny Khaldei?

No entanto, essa aproximação que Feliciano faz de Hitler e Stalin e, por extensão, entre nazismo e comunismo, não é privilégio de fanáticos religiosos com confuso estudo histórico. Há sérios intelectuais dispostos a esta aproximação e não é raro ver esta associação em discursos políticos, especialmente durante a Guerra Fria.

A esquerda marxista como Rosa Luxemburgo e Anton Pannekoek e pouco depois, Paul Mattick, denunciavam a aproximação do modelo de Josef Stalin com o fascismo de Mussolini, muito antes de Hitler chegar ao poder. Chamavam de “fascismo vermelho”, por caracterizarem a URSS fundamentalmente como “capitalismo de Estado sob domínio do Partido”, termo aliás, que o próprio Lenin utilizou (1) e que para ele era um “retrocesso” necessário para consolidação do país, “um passo atrás para dar dois a frente”. Onde o Estado absorve todo o excedente econômico produzido pelos trabalhadores e não os reverte para os mesmos, mas para o uso das necessidades do próprio Estado, sendo uma imensa burguesia monopolista. Neste sentido, várias décadas depois, observa-se uma continuidade no Partido Comunista Chinês, que insiste seguidamente em reafirmar seu compromisso “pragmático” com o comunismo, num país onde as corporações capitalistas nacionais e internacionais crescem de maneira descomunal e o capitalismo é cada vez mais dirigido pelo Estado em associação com as mesmas, numa situação econômica em grande escala, relativamente similar com a relação de Mussolini e Hitler com os industriais de seus países.

É quando partimos para o outro lado dos que associam marxismo com nazismo, que se faz necessário identificar as críticas e argumentos são de fato pertinentes ao tema, das argumentações que na verdade são apenas máscaras veladas de anticomunismo disfarçado em retórica elaborada. É assim que nos aparecem intelectuais radicais do capitalismo liberal como Hayek, Friedman e Mises, que muitas vezes parecem odiar a priori o socialismo e daí buscam constantemente argumentos para justificar seu repúdio.

Para eles marxismo e nazismo são versões da mesma coisa e vão buscar todo o tipo de exemplo para comprovar sua tese, porém, no geral, foi Mises quem expressou melhor essa associação, chamando genericamente de “Intervencionismo”, toda a ação Estatal na economia. Nas palavras dele, publicada em emblemático junho de 1929 (3 meses antes da esmagadora crise do livre mercado):

” O Intervencionismo busca reter a propriedade privada dos meios de produção, mas comandos autoritários, proibições em especial, são criadas para restringir as ações de proprietários privados. Se estas restrições atingem o ponto em que todas as decisões importantes são feitas através de comandos autoritários, se não é mais o motivo do lucro de proprietários, capitalistas e empreendedores, mas razões de estado que decidem o que deve ser produzido e como deve ser produzido, então, nós temos socialismo, mesmo que retendo o selo de propriedade privada” (von Mises, Critic to Inverventionism, página 15-16)

Assim, com essa simplificação genérica, Mises consegue colocar praticamente todo tipo de atividade econômica estatal como ‘intervencionismo’, desde as do tipo fascista até o intervencionismo keynesiano e, é lógico, o marxismo.

Um dos primeiros fatores que Mises e todos que acreditam nessas premissas, é ignorar o que a realidade inúmeras vezes escancarou (e escancara) em nossa cara:

Para o grande empresário, especialmente numa crise, se associar ao Estado é a atitude mais lucrativa possível (2) e na história fizeram isso seguidas vezes, tantas vezes que foi preciso reformar o Estado para que se adaptasse às suas necessidades. Não foram as chamadas “revoluções burguesas” a consolidação do poder político de quem antes só tinha poder econômico (burguesia)?

O Motivo do Lucro é tão importante que o capitalista descobriu que se tomar o controle do Estado lhe dará segurança, lucros garantidos e ainda poder de coerção contra os trabalhadores e a concorrência (especialmente internacional). É ignorar que ao se associarem com o Estado, imensas quantidades de dinheiro público passaram  a bolsos privados de empresas como Krupp, IBM, Volkswagen, Ford Motors, Deutsche Bank, Rockefeller Chase Bank, entre várias outras, só para citar os nazistas nos anos 1930 e 40. Este é um tema que já levantei neste post.

A negação desta evidência para exaltar um idílico mercado livre perfeito, dada a abundância de documentações e análises econômicas e históricas que vão exatamente contra esse argumento, não pode parecer se não o mais rasteiro cinismo ou falsificação da realidade para adequar a tese criada a priori: “estado = socialismo = ruim”.

Mas Mises, o mais radical dos gurus liberais, não deixa o seu cinismo apenas numa “inocente” formação teórica e negação da realidade. Ele mesmo trabalhou para o governo fascista austríaco de Engelbert Adolphus nos anos 30 e não só isso, ainda em 1927, admite que o fascismo foi uma boa solução para o capitalismo, uma solução contingencial, mas boa, como podemos ver aqui (tradução minha, nota 3):

“Não pode ser negado que o Fascismo e movimentos similares que miravam na estabilização de ditaduras estão cheios de boas intenções e suas intervenções, no momento, salvaram a civilização Européia. O mérito que portanto o fascismo ganhou para si, viverá eternamente na história. E apesar de ter trazido salvação para o momento, não é do tipo que pode prometer sucesso continuado. Fascismo foi uma mudança de emergência. Vê-lo como algo a mais seria um erro fatal” (Liberalismo, o Argumento do Fascismo).

Assim, fica altamente compreensível o apoio posterior dos discípulos de Mises, Hayek e Friedman, ao neofascista ditador chileno Augusto Pinochet, carniceiro com mais de 30 mil mortos em sua conta, usado como plataforma de experimentação do neoliberalismo. Hayek admite:

“Como instituições de longo período, eu sou totalmente contra ditaduras. Mas ditaduras podem ser um sistema necessário por um período transitório […]. Pessoalmente eu prefiro um ditador liberal do que um governo democrático ausente de liberalismo. Minha impressão pessoal – e isso é válido para a América do Sul – é que o Chile, por exemplo, vai observar uma transição de uma ditadura governamental para um governo liberal” (nota 12).

É o mesmo cinismo deslavado que vemos nos dias de hoje, que continua a defender “o estado mínimo”, “os perigos da intervenção da economia” e um suposto “capitalismo livre do Estado” mesmo depois da colossal intervenção estatal de 700 bilhões de dólares para salvar os bancos ou para salvar a Ford Motors nos EUA. Isso numa crise econômica essencialmente causada pela falta de regulamentação – isto é, excesso de liberdade – do mercado norte-americano, como explicou muito bem David Harvey em O Enigma do Capital.

O Estado forte é ruim, mas de tempos em tempos, para solucionar uma crise ou para usar a repressão violenta contra a população, extirpando o “socialismo” ou “marxismo cultural” dela e então favorecer o empresariado soberano numa especie de “livre mercado sem democracia”, ele é ótimo e necessário. “Viverá eternamente na história”.

A desonestidade intelectual não tem limites.

Qualquer análise objetiva da realidade demonstra o quão forçado é associar nazismo e marxismo. Basta lembrar que, além dos conflitos físicos frequentes entre nazistas e comunistas durante todo os anos 1910 e 20 (4) , o objetivo do nazismo em relação ao marxismo já estava claro desde 1925, ano de publicação do Mein Kampf (como vimos no nosso último post) ou até antes, em 1922, quando o fascismo já estava no poder na Itália. É difícil portanto, não pensar que essa associação parte de um ódio anti-comunista a priori, traduzido numa forma “elaborada” do Reductio ad Hitlerum (5), e o principal argumento-slogan válido para desvalorizar o comunismo é, no fundo, associar tudo o que já o envolveu, ao nazismo. Onde nazista é a palavra-chave universal para a maldade, na simples dicotomia que tentam trabalhar hoje em dia em quase todos os temas.

Stalin era ruim não pelas suas inúmeras características brutais e intransigentes que claramente destoavam de qualquer preceito marxista, onde apresentava muito mais as características de um nacionalista radical, imperialista e autocrata, inserido assim num ethos político russo, longe de um “internacionalista, iluminista defensor da democracia”, como poderíamos classificar Karl Marx. Era ruim porque era socialista.

Stalin era ruim não por expurgar e prender importantes comunistas soviéticos que poderiam lhe contestar a liderança, chegando a mais de 300 mil presos políticos, ou por ter executado boa parte da cúpula bolchevique que participou da revolução de 1917  (6), podendo-se dizer que apenas Hitler matou mais comunistas do que Stalin. Não, não por isso. Era ruim porque fez isso através de uma ideologia análoga ao nazismo.

Desta forma, até decisões econômicas catastróficas são lidas então sob a perspectiva nazista. A coletivização rápida e forçada das terras feudais da Ucrânia, alterando o panorama e distribuição de alimentos em toda URSS, provocando 4 a 5 milhões de mortes de fome em 3 anos é lida como genocídio planejado análogo ao extermínio industrial de judeus que inclusive usou maquinário da corporação estadunidense IBM. É irrelevante notar que se fôssemos condenar governos por matar de fome sua população por incompetência e negligência,  teríamos de aumentar a lista para centenas de tiranos ao longo de todo o século XIX e XX. A fome na Irlanda matou 15% da população do país por volta de 1850 e não vemos a Rainha Vitória da Inglaterra figurar na lista de genocidas ao lado de Stalin. Ainda mais, se formos com o ex-relator da ONU, Jean Ziegler por exemplo, poderemos considerar que  uma criança morta de fome é, na verdade, assassinada e restará pouquíssimos países não-assassinos de crianças no mundo e curiosamente, Cuba estaria entre eles.

Josef Stalin portanto, não é analisado e criticado pelo que de fato fez de ruim e tirânico, enquanto líder de um país em situação de guerra desde no nascimento, mas porque o que ele fez não passou de uma versão russa do nazismo hitlerista, “exemplos evidentes” de como o estatismo é vil e repugnante. Ele era ruim porque era como Hitler, esvaziando todo o conteúdo fundamental para entender não só o stalinismo, mas o fascismo e mesmo o liberalismo. O seu “comunismo nazista” é um redução ad hominem para condená-lo, sendo irrelevante que na realidade, sua relação com os nazistas e por extensão, do marxismo com o fascismo, fosse sempre de choque e conflito.

Não basta que o Mein Kampf, livro de Hitler, tenha páginas e páginas dedicadas ao seu ódio absoluto ao marxismo, bolchevismo, assembleísmo, à Revolução Comunista da Baviera e à União Soviética. Nem bastam inúmeros discursos de toda a intelligenzia nazista abominando o marxismo, a URSS e os bolcheviques (7). Não bastam os 20 anos seguidos que os soviéticos fizeram propaganda anti-nazista e os nazistas propagandas anti-soviéticas, nas mais variadas formas e moldes, inclusive durante a breve Paz Armada que tiveram.

Não basta Hitler ter dito para os grandes capitalistas (não-judeus) de seu país que não iria mexer nos negócios da Krupp ou de qualquer outra grande empresa capitalista alemã e que seu objetivo principal era acabar com o marxismo, algo, obviamente, impensável para um marxista (8). Não bastam as inúmeras corporações capitalistas que apoiaram o regime nazista e abominavam os soviéticos. Não basta Hitler ter acusado outros nazistas de serem bolcheviques em acalorados debates e usar isso de motivo para perseguições, como o caso do nazista Otto Strasser (9).

Não bastam as relações comerciais entre os nazistas e os soviéticos terem se deteriorado consideravelmente por pura vontade ideológica e não econômica. Não bastam tropas soviéticas terem lutado contra tropas nazi-fascistas na Guerra Civil Espanhola em 1936, sendo a URSS a única nação a enviar oficialmente tropas contra o fascismo espanhol e que este era apoiado abertamente pelos nazistas.

Ignorando toda a rivalidade teórica e belicosa entre nazismo e comunismo, alguns defensores desta associação, citam o pacto de não-agressão entre Hitler e Stalin de 1939 como prova irrefutável da aliança entre seus países e ideologias. O mais estúpido deste argumento é o mais óbvio: um país só faz pacto de não-agressão com inimigos, jamais com aliados. Imaginem se os EUA iriam ter um pacto de não-agressão com a Inglaterra ou a França durante os anos 30. O acordo Molotov-Ribbentrop é justamente prova cabal de que os países e os líderes eram inimigos declarados que por conveniência e oportunismo resolveram rapinar um inimigo histórico comum (a Polônia) sem a necessidade de conflito (10). Não é muito diferente dos inúmeros acordos políticos e comerciais entre EUA e URSS ao longo de toda a Guerra Fria.

É preciso no entanto colocar que, para além de todo o cinismo que uma associação entre as duas ideologias carrega, podemos sim dizer que Hitler e Stalin tinham suas semelhanças, seja na perseguição de rivais ao seu poder, seja na relação com a Polônia e até mesmo no culto a personalidade, onde Stalin claramente entrava em choque com Marx (11). Mas estas semelhanças estavam muito longe de ser simpatias reais ou qualquer relação teórica profunda, por isso que em analise teórica acabam na imposição forçada, simplista e ahistórica de Von Mises onde marxismo e keynesianismo pregam um Estado interventor, logo podem ser associados ao intervencionismo do nazi-fascismo.

E ainda, da mesma forma que podemos atribuir afinidades entre Stalin e Hitler, podemos também, traçar entre grande parte dos anti-comunistas ocidentais com Hitler, Mussolini e muitos outros fascistas. Von Mises na sua apologia ao fascismo não me deixa mentir. Friedman e os Chicago Boys do fascista chileno Pinochet também não. Até os franceses saudando os nazistas com bandeirinhas sob a liderança de Phillipe Petaín durante a conquista nazista, são reflexo desta simpatia ocidental pelo nazi-fascismo. Ora, não foi em visita aos EUA o acidente do Zepelim nazista Hindeburg ? Henry Ford, Rockefeller e muitos industriais norte-americanos não tiveram importantes relações com o regime de Hitler? O apaziguamento covarde de Neville Chamberllain não usava um temor de nova guerra como protagonista de um anti-comunismo histérico do Ocidente?

Assim, ao observar o discurso anti-comunista em gente como Feliciano ou Bolsonaro e tantos outros de nossa vida política, temos que perceber, no seio de opiniões aparentemente infundadas, mas comuns na mentalidade ocidental, aonde descansa teoricamente e a quem serve este tipo de argumentação. O fascismo é o capitalismo aplicado sem o cinismo liberal e deles o marxismo é inimigo declarado.

Leandro Dias

*Colaborou: André Brito

NOTAS

1 – Ver BERTELLI, Antonio Roberto, “Capitalismo de Estado e Socialismo”, páginas 67 a 80.

2 – Para Marx, o Estado moderno é, se não, a consolidação do poder da propriedade privada. Ver verbete Estado da enciclopédia marxista.

3 – Esse texto poderia ser resumido assim: “fascismo é ruim porque é violento, intervencionista e etc, mas na contingência do momento, para bater e proteger do comunismo, é bom e deve entrar para história por isso”.

4 – Rosa Luxemburgo por exemplo, foi morta pela polícia da Baviera, que na época tinha forte associação com os grupos paramilitares de extrema direita, genericamente chamados de Freikorps.

5 – A prática ad hominem não é rara nesta escola.

6 – Até mesmo um stalinista admite isso, Ludo Martens em seu livro “Stalin, um novo Olhar”.

7 – Ver nosso último post  e ver também “Landmark Speeches of National Socialism”, por Randall Bytwerk (organizador).

8 – Vale ler o grande número de documentos oficiais, discursos e livros nazistas compilados por Jeremy Noakes, no seu excelente “Documents on Nazism” (1919-1945), especialmente a sessão Hitler e os Industriais.

9 -Ver “Hitler und Ich” (Hitler e Eu), livro de Otto Strasser, político e dos primeiros importantes membros do Partido Nazista, expulso do partido em 1930. Lembrem também que em 1934 a “Noite das Facas Longas” foi justamente um “pogron” para exterminar os elementos esquerdistas e socialistas, muitas vezes chamados de “bolcheviques” pelos seus algozes.

10 – Ver citação “Página 488” do nosso texto último post sobre Hitler.

11 – Marx diz em carta a um amigo (tradução minha): “Nenhum de nós se importa com a popularidade. A prova disso é por exemplo, que devido à aversão a qualquer culto à personalidade, eu nunca permiti que as inúmeras expressões de reconhecimento que eu recebi durante a existência da Internacional alcançassem o campo da publicidade, eu nunca as respondi, exceto ocasionalmente quando fui refutá-las. Quando Engels e eu entramos na organização secreta “Sociedade Comunista”, exigimos a condição de que tudo que encorajasse credos supersticiosos na autoridade deveriam ser removidos dos estatutos.” (Letter to W. Blos, IN: Wikiquote). Essa colocação é diametralmente oposta ao “princípio da autoridade” dos nazistas.

12 – Citação adicionada na revisão deste texto, 25-5-2013. Ver aqui ; aqui e ver GANDIN, Greg, Empire’s Workshop, Henry Holt Company, EUA, 2006.

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16 Respostas para “Por Stanley! Ou do Anti-comunismo rasteiro

  1. Andrezão 21 de maio de 2013 às 13:13

    O melhor, é sobre este trecho “Josef Stalin portanto, não é analisado e criticado pelo que de fato fez de ruim e tirânico, enquanto líder de um país em situação de guerra desde no nascimento, mas porque o que ele fez não passou de uma versão russa do nazismo hitlerista. Ele era ruim porque era como Hitler, esvaziando todo o conteúdo fundamental para entender não só o stalinismo, mas o fascismo e mesmo o liberalismo. O seu “comunismo nazista” é um redução ad hominem para condená-lo, sendo irrelevante que na realidade, sua relação com os nazistas e por extensão, do marxismo com o fascismo, fosse sempre de choque e conflito.” Achei genial esse discurso utilizado que você abordou. O pior não é Stalin ter expurgado milhões e ter atrasado o desenvolvimento social e revolucionário de vários países e meio continente. Aliás, se ele tivesse matado ninguém, AINDA seria ruim… POIS ELE ERA NAZISTA, SOCIALISTA E IA CONTRA A LIBERDADE (capitalista). Meu ponto de vista é esse
    até no discurso os miguxos usam como argumento secundário o velho discurso de “milhões morreram”
    o problema maior era o fato de ele ser SOCIALISTA… essa condição pela qual os anti-comunistas, esquerdistas e reacionários em geral tem uma aversão atávica, irracional, total e sem qualquer linha de pensamento crítica. Realmente, a desonestidade e imbecilidade intelectuais não têm limites.

  2. Eduardo Bellani 23 de maio de 2013 às 12:41

    O artigo me parece ser construído para atacar o Mises, e contém erros,
    com o perdão da palavra, pueris. Observe:

    > Um dos primeiros fatores que Mises e todos que acreditam nessas
    > premissas, é ignorar o que a realidade inúmeras vezes escancarou (e
    > escancara) em nossa cara: Para o grande empresário, especialmente
    > numa crise, se associar ao Estado é a atitude mais lucrativa
    > possível (2) e na história fizeram isso seguidas vezes, tantas vezes
    > que foi preciso reformar o Estado para que se adaptasse às suas
    > necessidades. Não foram as chamadas “revoluções burguesas” a
    > consolidação do poder político de quem antes só tinha poder
    > econômico (burguesia)?

    Em seguida vai uma citação que considero representativa sobre a
    posição do Mises a respeito do livre mercado, que é o que ele defende:

    > In the unhampered market economy there are no privileges, no
    > protection of vested interests, no barriers preventing anybody from
    > striving after any prize. [1]

    Em seguida o autor escreve:

    > falsificação da realidade para adequar a tese criada a priori:
    > “estado = socialismo = ruim”.

    Onde que houve essa tal ‘falsificação da realidade’?

    Mas suponho que o caráter falso e a desonestidade intelectual do autor
    fica clara na seguinte afirmação:

    > Adolphus nos anos 30 e não só isso, ainda em 1927, admite que o
    > fascismo foi uma boa solução para o capitalismo, uma solução
    > contingencial, mas boa, como podemos ver aqui

    > > “Não pode ser negado que o Fascismo e movimentos similares que miravam
    > > na estabilização de ditaduras estão cheios de boas intenções e suas
    > > intervenções, no momento, salvaram a civilização Européia. O mérito
    > > que portanto o fascismo ganhou para si, viverá eternamente na
    > > história. E apesar de ter trazido salvação para o momento, não é do
    > > tipo que pode prometer sucesso continuado. Fascismo foi uma mudança de
    > > emergência. Vê-lo como algo a mais seria um erro fatal” (Liberalismo,
    > > o Argumento do Fascismo).

    Deixo o próprio Mises, 5 parágrafos antes deste que ele pega como
    citação, para afugentar as sombras da mentira com a luz da verdade:

    > The fundamental idea of these movements – which, from the name of the
    > most grandiose and tightly disciplined among them, the Italian, may,
    > in general, be designated as Fascist – consists in the proposal to
    > make use of the same unscrupulous methods in the struggle against the
    > Third International as the latter employs against its opponents. The
    > Third International seeks to exterminate its adversaries and their
    > ideas in the same way that the hygienist strives to exterminate a
    > pestilential bacillus; it considers itself in no way bound by the
    > terms of any compact that it may conclude with opponents, and it deems
    > any crime, any lie, and any calumny permissible in carrying on its
    > struggle. The Fascists, at least in principle, profess the same
    > intentions. That they have not yet succeeded as fully as the Russian
    > Bolsheviks in freeing themselves from a certain regard for liberal
    > notions and ideas and traditional ethical precepts is to be attributed
    > solely to the fact that the Fascists carry on their work among nations
    > in which the intellectual and moral heritage of some thousands of
    > years of civilization cannot be destroyed at one blow, and not among
    > the barbarian peoples on both sides of the Urals, whose relationship
    > to civilization has never been any other than that of marauding
    > denizens of forest and desert accustomed to engage, from time to time,
    > in predatory raids on civilized lands in the hunt for booty. Because
    > of this difference, Fascism will never succeed as completely as
    > Russian Bolshevism in freeing itself from the power of liberal
    > ideas. Only under the fresh impression of the murders and atrocities
    > perpetrated by the supporters of the Soviets were Germans and Italians
    > able to block out the remembrance of the traditional restraints of
    > justice and morality and find the impulse to bloody counteraction. The
    > deeds of the Fascists and of other parties corresponding to them were
    > emotional reflex actions evoked by indignation at the deeds of the
    > Bolsheviks and Communists. As soon as the first flush of anger had
    > passed, their policy took a more moderate course and will probably
    > become even more so with the passage of time.
    > This moderation is the result of the fact that traditional liberal
    > views still continue to have an unconscious influence on the
    > Fascists. But however far this may go, one must not fail to recognize
    > that the conversion of the Rightist parties to the tactics of Fascism
    > shows that the battle against liberalism has resulted in successes
    > that, only a short time ago, would have been considered completely
    > unthinkable.

    > Assim, fica altamente compreensível o apoio posterior dos discípulos
    > de Mises, Hayek e Friedman, ao neofascista ditador chileno Augusto
    > Pinochet, carniceiro com mais de 30 mil mortos em sua conta, usado
    > como plataforma de experimentação do neoliberalismo.

    Friedman não era aluno de Mises, e foi chamado de socialista pelo
    mesmo. Hayek era, mas tinha outros professores e divergiu bastante do
    Mises, pendendo para uma social democracia, enquanto que o Mises era
    minarquista com tendências anárquicas (mais especificamente, estado
    democrático sem impedimentos para secessão).

    Por fim, faço das palavras do autor as minhas:

    > A desonestidade intelectual não tem limites.

    [1] von Mises, Ludwig; Theory and History; p 114
    [2] von MIses, Ludwig; Liberalism; Chapter 10, p 49

    • riorevolta 23 de maio de 2013 às 15:25

      Agradeço a lembrança do conveniente argumento que liberais radicais como Mises sempre escapam quando encarados com a realidade:

      “Numa economia de mercado não regulada não existem privilégios, nem proteções de interesses vestidos, nem barrerias impedindo qualquer um de buscar qualquer prêmio” (tradução minha).

      Essa economia desregulada não existe e é usada como argumento sempre que uma economia capitalista liberal vai mal, “Foi mal porque tinha Estado demais”. Ignora completamente a realidade pois foi exatamente como tradução dos anseios dos capitalistas que o Estado foi crescendo e não é evidente que toda vez que surge uma crise criada dentro de mercados desregulados que logo em seguida vêm o Estado salvar a pátria? O que foi a crise de 2008 se não isso? Ignora completamente a realidade de escolha dos indivíduos capitalistas pois foi seu próprio motivo do lucro, basilar no pensamento liberal, que trouxe o Estado para dentro da economia, especialmente no capitalismo em uma crise. Não querem estado, mas na hora que aperta, pedem socorro. Quando precisaram de mão de obra abundante, apelaram à escravidão, quando precisaram de mão de obra qualificada, apelaram a um sistema de educação pública, quando precisaram de matéria prima, apelaram ao colonialismo. Corporações não podem declarar guerra.

      É muita ingenuidade crer realmente que pode existir o mercado sem o Estado Moderno. O Estado moderno é resultado do próprio capitalismo, não é por acaso que surgiram simultaneamente. Eu digo que “falsifica a realidade” pois acho que Mises, Hayek ou Friedman sejam ignorantes ou pouco estudados em história, acho que são desonestos intelectuais mesmo. Falsificam seguidamente a realidade para adequar ao seu mantra surrealista: capitalismo não precisa do Estado.

      Quanto às declarações de Mises, se tivesse lido a nota de rodapé sobre o texto do Mises que voce cita e que coloquei no meu texto veria o meu comentário”

      3 – Esse texto poderia ser resumido assim: “fascismo é ruim porque é violento, intervencionista e etc, mas na contingência do momento, para bater e proteger do comunismo, é bom e deve entrar para história por isso”.

      E é exatamente isso o que Mises fez = o Estado é ruim, mas na hora de bater em socialistas malvados, é aceitável. Não foi assim com Dolfuss em 1932?!

      E quanto ao Dollfuss, Mises o serviu de 1932 a 1934, o tempo que durou o governo fascista de Dollfuss… Até onde sei isso é nos anos 30. Antes disso, Mises trabalhou na câmara do Comércio nos anos 20 até 34 e na faculdade de Vienna e só saiu de Vienna quando Dolfuss foi assassinado. Não é irônico que o grande sucesso econômico, estabilidade e qualidade de vida da Áustria se deu exatamente por jamais ter seguido os ditames da Escola Austríaca?

      E não falei que Friedman era discípulo de Mises, ou mesmo Hayek, minha frase foi a seguinte:

      “Assim, fica altamente compreensível o apoio posterior dos discípulos de Mises, Hayek e Friedman, ao neofascista ditador chileno Augusto Pinochet,”

      Releia a frase e me diga se foi isso que eu escrevi.

      Obrigado pela leitura, tenha um bom dia.

      • Eduardo Bellani 23 de maio de 2013 às 17:27

        Olá

        “Essa economia desregulada não existe e é usada como argumento sempre
        que uma economia capitalista liberal vai mal, “Foi mal porque tinha
        Estado demais”. Ignora completamente a realidade pois foi exatamente
        como tradução dos anseios dos capitalistas que o Estado foi crescendo
        e não é evidente que toda vez que surge uma crise criada dentro de
        mercados desregulados que logo em seguida vêm o Estado salvar a
        pátria? O que foi a crise de 2008 se não isso? Ignora completamente a
        realidade de escolha dos indivíduos capitalistas pois foi seu próprio
        motivo do lucro, basilar no pensamento liberal, que trouxe o Estado
        para dentro da economia, especialmente no capitalismo em uma
        crise. Não querem estado, mas na hora que aperta, pedem
        socorro. Quando precisaram de mão de obra abundante, apelaram à
        escravidão, quando precisaram de mão de obra qualificada, apelaram a
        um sistema de educação pública, quando precisaram de matéria prima,
        apelaram ao colonialismo. Corporações não podem declarar guerra.”

        Pelo que eu entendi, você está dizendo que o Mises é a favor de um
        livre mercado e que nesse livre mercado não deveria haver privilégios,
        mas que certos burocratas se aliam a empresários para obter lucros e
        poder. Falho em ver como que esse fato, ou uma crise bancária ocorrida
        em economias altamente intervencionistas, desmente ou contradiz
        qualquer argumento de Mises. Você poderia me iluminar?

        “O Estado moderno é resultado do próprio capitalismo, não é por acaso
        que surgiram simultaneamente.”

        Poderia provar isso? Ou é um apelo a sua autoridade?

        “Quanto às declarações de Mises, se tivesse lido a nota de rodapé
        sobre o texto do Mises que voce cita e que coloquei no meu texto veria
        o meu comentário”

        Obrigado por trazer essa nota a minha atenção, realmente eu não a
        tinha notado.

        No texto você diz:

        “admite que o fascismo foi uma boa solução para o capitalismo, uma
        solução contingencial, mas boa, como podemos ver aqui ”

        na nota você diz:

        “fascismo é ruim porque é violento, intervencionista e etc, mas na
        contingência do momento, para bater e proteger do comunismo, é bom e
        deve entrar para história por isso”

        Ou é bom ou ruim. No texto que eu li do Mises, fica claro a crítica
        contundente dele sobre o fascismo, sem contingências. Pode ter sido um
        lapso de atenção minha, então peço por favor que você me indique onde
        que o Mises diz em algum lugar que fascismo é ‘bom’.

        “E é exatamente isso o que Mises fez = o Estado é ruim, mas na hora de
        bater em socialistas malvados, é aceitável. Não foi assim com Dolfuss
        em 1932?!”

        Novamente, peço encarecidamente que você me aponte onde que Mises
        escreve que o fascismo é aceitável(bom?).

        “E quanto ao Dollfuss, Mises o serviu de 1932 a 1934, o tempo que
        durou o governo fascista de Dollfuss… Até onde sei isso é nos anos
        30. Antes disso, Mises trabalhou na câmara do Comércio nos anos 20 até
        34 e na faculdade de Vienna e só saiu de Vienna quando Dolfuss foi
        assassinado.”

        Mises era judeu, e saiu de Vienna fugindo dos nazistas. Mas imagino
        que esse pequeno detalhe fugiu de sua percepção.

        “Não é irônico que o grande sucesso econômico, estabilidade e
        qualidade de vida da Áustria se deu exatamente por jamais ter seguido
        os ditames da Escola Austríaca?”

        Pode provar isso?

        “E não falei que Friedman era discípulo de Mises, ou mesmo Hayek,
        minha frase foi a seguinte:”

        Seu uso de vírgulas permite ambas interpretações, a sua e a minha.

        “Obrigado pela leitura, tenha um bom dia.”

        Tenha um bom dia também.

      • riorevolta 24 de maio de 2013 às 15:51

        Olá
        “Pelo que eu entendi, você está dizendo que o Mises é a favor de um livre mercado e que nesse livre mercado não deveria haver privilégios, mas que certos burocratas se aliam a empresários para obter lucros e poder. Falho em ver como que esse fato, ou uma crise bancária ocorrida em economias altamente intervencionistas, desmente ou contradiz qualquer argumento de Mises. Você poderia me iluminar?”
        O problema não é inicialmente o argumento de Mises, mas confrontá-lo com a realidade, com a história. Tendo em vista sua clara opinião sobre o intervencionismo fascista (tanto no caso de Mussolini quanto de Dollfus), isto é, visto que ele considera que a forte intervenção do estado na economia através da associação de corporações com o Estado, algo ruim mas “necessário” em determinadas contingências – especialmente para extirpar o perigo comunista (eu acrescentaria). Como isso se traduz se não como cinismo? Isto é, ele reconhece a necessidade do Estado em situação de crise extrema e ameaça econômica, instaurando uma brutal ditadura, desde que seu objetivo seja proteger a sociedade do perigo marxista. Assim então, sua teoria prega o tempo todo que Estado = socialismo = ruim, mas quando traduzida para a realidade, aceita o uso de um Estado fortíssimo. O que me resta perguntar é, para quem então ele defende a falta de estado?!
        A frase de Hayek, este sim trabalhou para Mises, deixa isso ainda mais evidente:
        “As long term institutions, I am totally against dictatorships. But a dictatorship may be a necessary system for a transitional period. […] Personally I prefer a liberal dictator to democratic government lacking liberalism. My personal impression – and this is valid for South America – is that in Chile, for example, we will witness a transition from a dictatorial government to a liberal government.”
        IN: Grandin, Greg, EMPIRE’S WORKSHOP, Henry Hold Company, Estados Unidos, 2006.
        Para validar uma teoria que simplesmente jamais se transpareceu na realidade me parecem apelar a um cinismo deslavado. Mises está falando o tempo todo da importância do indivíduo capitalista na construção da sociedade, mas quando os mesmos indivíduos que defende, liderando empresas capitalistas, decidem que a melhor maneira de expandir e obter lucro é se associar ao Estado. No entanto, essas decisões, por mais que estejam repletas delas na história (veja a Rodésia ou a Cia das Índias Orientais em uma época de “Estado Mínimo”), são omitidas em favor de uma perspectiva que me parece estabelecida a priori Estado = ruim pro capitalismo.
        Por isso disse que a relação de Mises e também Hayek com o papel e origem do Estado não tem bases histórias e é meramente ideológica e cínica. Isto é, o Livre Mercado teorizado por Mises não só representa uma utopia, como quando esboçou uma existência trouxe crises sociais (recomendo leitura sobre a situação da população na Inglaterra durante a Rev. Industrial), imperialismo expansionista ou simplificadamente uso do Estado como busca de matérias primas e mercados para o capitalismo (como disse, “corporações não declaram guerra”). Daí quando surgem crises agudas, acabam sempre na mesma resposta, que você também me afirmou: “Não deu certo porque são economias altamente intervencionistas”; “Não deu certo porque tinha Estado demais”. Mas o Estado demais foi resultado da própria exigência dos indivíduos.
        Assim, chamo Mises de cínico exatamente por escrever um texto cujo os 8 primeiros parágrafos são dizendo que o fascismo é ruim, mas no final concluí que foi necessário – entrará para a história – por ter salvado o ocidente do perigo comunista. É esse o ponto do argumento dele e por isso é extremametne cínico. Ele pode ter fugido dos nazistas em 34, mas não trabalhou dois anos inteiros para o fascista Dollfuss (que também era anti-nazista), mesmo depois que o mesmo investiu violentamente contra os socialistas austríacos.
        E quanto à Áustria é só ver a história do Welfare State naquele país, apesar de ter sido pioneiro no Welfare State europeu ainda nos anos 20, é curioso que um dos poucos momentos que a Escola Austríaca chegou ao poder por lá foi no governo fascista de Dollfuss. E até recentemente era dos mais estatizados países europeus e mesmo depois de uma série de privatizações ainda possui inúmeros monopólios estatais, saúde e educação pública e participação ativa na economia através de programas de “participações sociais” (na agricultura especialmente).
        ***
        “O Estado moderno é resultado do próprio capitalismo, não é por acaso que surgiram simultaneamente.”
        Não é apelo a autoridade. O que foi a Rev. Francesa e a Americana se não a derrubada do poder colonial, feudal e nobiliárquico para instauração do poder econômico? Não seria o constitucionalismo burguês exatamente uma busca de legitimação estatal, buscando inicialmente uma proteção contra a arbitrariedade dos nobres, mas posteriormente uma proteção e “autorização” contra a sindicalização dos trabalhadores e a arbitrariedade de outros capitalistas, especialmente estrangeiros. Neste sentido recomendo “Chutando a Escada”, livro cerne do pensamento do coreano Ha Joon Chang, ou Paul Kennedy “Ascensão e Queda das Grandes Potências ou ainda, – o de mais agradável leitura: “A Grande Transformação” de Karl Polanyi. E, caso queira entrar nos marxistas, F. Engels “A Origem do Estado da Família e da Propriedade”, o próprio Marx em muitos escritos.
        ***
        Obrigado novamente pela leitura. Tenha um bom dia.

    • riorevolta 23 de maio de 2013 às 15:44

      E ainda poderia acrescentar a frase do Hayek, este sim trabalhou para Mises:

      “As long term institutions, I am totally against dictatorships. But a dictatorship may be a necessary system for a transitional period. […] Personally I prefer a liberal dictator to democratic government lacking liberalism. My personal impression – and this is valid for South America – is that in Chile, for example, we will witness a transition from a dictatorial government to a liberal government.”

      IN: Grandin, Greg, EMPIRE’S WORKSHOP, Henry Hold Company, Estados Unidos, 2006.

      Ou aqui também:

      http://delong.typepad.com/sdj/2006/11/milton_friedman_1.html

  3. Eduardo Bellani 25 de maio de 2013 às 13:18

    Olá

    “Pelo que eu entendi, você está dizendo que o Mises é a favor de um
    livre mercado e que nesse livre mercado não deveria haver privilégios,
    mas que certos burocratas se aliam a empresários para obter lucros e
    poder. Falho em ver como que esse fato, ou uma crise bancária ocorrida
    em economias altamente intervencionistas, desmente ou contradiz
    qualquer argumento de Mises. Você poderia me iluminar?”

    “O problema não é inicialmente o argumento de Mises, mas confrontá-lo
    com a realidade, com a história. Tendo em vista sua clara opinião
    sobre o intervencionismo fascista (tanto no caso de Mussolini quanto
    de Dollfus), isto é, visto que ele considera que a forte intervenção
    do estado na economia através da associação de corporações com o
    Estado, algo ruim mas “necessário” em determinadas contingências –
    especialmente para extirpar o perigo comunista (eu
    acrescentaria).”

    Vou assumir que fugiu a sua percepção as perguntas que eu fiz no
    comentário anterior, então vou reescrever ela aqui:

    * Onde que Mises escreve que o fascismo é aceitável ou necessário ou
    bom?

    “Como isso se traduz se não como cinismo? Isto é, ele reconhece a
    necessidade do Estado em situação de crise extrema e ameaça econômica,
    instaurando uma brutal ditadura, desde que seu objetivo seja proteger
    a sociedade do perigo marxista.”

    Vide a pergunta acima.

    A frase de Hayek, este sim trabalhou para Mises, deixa isso ainda mais
    evidente:

    Hayek não é Mises, e tinha opiniões bem diversas do mesmo,
    especialmente no campo social.

    “Para validar uma teoria que simplesmente jamais se transpareceu na
    realidade me parecem apelar a um cinismo deslavado.”

    Mises utiliza o individualismo metodológico, cujo conteúdo é
    apriorismo sintético, derivado de Kant. Um pequeno resumo ->
    http://consultingbyrpm.com/blog/2012/12/quick-thoughts-on-pure-reason-vs.-empiricism.html

    “Assim, chamo Mises de cínico exatamente por escrever um texto cujo os
    8 primeiros parágrafos são dizendo que o fascismo é ruim, mas no final
    concluí que foi necessário – entrará para a história – por ter salvado
    o ocidente do perigo comunista.”

    Vide a pergunta acima.

    É esse o ponto do argumento dele e por isso é extremametne cínico. Ele
    pode ter fugido dos nazistas em 34, mas não trabalhou dois anos
    inteiros para o fascista Dollfuss (que também era anti-nazista), mesmo
    depois que o mesmo investiu violentamente contra os socialistas
    austríacos.

    Muitas pessoas trabalharam para o governo naquela época. Devo assumir
    que todas eram fascistas por causa disso?

    “E quanto à Áustria é só ver a história do Welfare State naquele país,
    apesar de ter sido pioneiro no Welfare State europeu ainda nos anos
    20, é curioso que um dos poucos momentos que a Escola Austríaca chegou
    ao poder por lá foi no governo fascista de Dollfuss.”

    A escola austríaca chegou ao poder? Prove isso. E por favor, entenda o
    que é essa escola, e a diferença entre análise descritiva e prescritiva.

    “Não é apelo a autoridade. O que foi a Rev. Francesa e a Americana se
    não a derrubada do poder colonial, feudal e nobiliárquico para
    instauração do poder econômico? Não seria o constitucionalismo burguês
    exatamente uma busca de legitimação estatal, buscando inicialmente uma
    proteção contra a arbitrariedade dos nobres, mas posteriormente uma
    proteção e “autorização” contra a sindicalização dos trabalhadores e a
    arbitrariedade de outros capitalistas, especialmente
    estrangeiros. Neste sentido recomendo “Chutando a Escada”, livro cerne
    do pensamento do coreano Ha Joon Chang, ou Paul Kennedy “Ascensão e
    Queda das Grandes Potências ou ainda, – o de mais agradável leitura:
    “A Grande Transformação” de Karl Polanyi. E, caso queira entrar nos
    marxistas, F. Engels “A Origem do Estado da Família e da Propriedade”,
    o próprio Marx em muitos escritos.”

    Em nenhum momento você apresentou prova analítica alguma nesse seu
    parágrafo. Fez presunções e perguntas, todas muito questionáveis.

    Vou repetir a pergunta que fiz no começo, pra enfatizar o ponto:

    * Onde que Mises escreve que o fascismo é aceitável ou necessário ou
    bom?

    Tenha um bom final de semana.

    • riorevolta 27 de maio de 2013 às 20:18

      Difícil debater quando me parece que você não leu o texto, fico com a impressão que estais fazendo de propósito:

      Mises escreveu exatamente no artigo que cito e ainda coloquei em nota de rodapé: “3 – Esse texto poderia ser resumido assim: “fascismo é ruim porque é violento, intervencionista e etc, mas na contingência do momento, para bater e proteger do comunismo, é bom e deve entrar para história por isso”. O que isso quer dizer? Como já disse na outra resposta à sua arguição: Mises passa oito parágrafos falando mal do fascismo, mas ao final, concluí (vou repetir a citação com grifos meus):

      Não pode ser negado que o Fascismo e movimentos similares que miravam na estabilização de ditaduras estão cheios de boas intenções e suas intervenções, no momento, salvaram a civilização Européia. O mérito que portanto o fascismo ganhou para si, viverá eternamente na história. E apesar de ter trazido salvação para o momento, não é do tipo que pode prometer sucesso continuado. Fascismo foi uma mudança de emergência. Vê-lo como algo a mais seria um erro fatal” (Liberalismo, o Argumento do Fascismo).

      Isto é, nas palavras de Mises, apesar de todos os seus problemas (citados nos nove parágrafos anteriores), Mises reconhece que o fascismo foi um “mudança de emergência” e “não pode ser negado que o Fascismo e suas intervenções, no momento, salvaram a civilização Européia”

      Não poderia ser mais claro. Caso ainda queira focar neste tema, por favor, releia o texto do Mises.

      Agora quem está sendo cínico é você. Ele – maior mentor da Escola Austríaca – trabalhou por dois anos inteiros como principal conselheiro de Dollfuss. Isso segundo o próprio Mises.org publica. Como não dizer que seu pensamento e, portanto, sua escola, não estiveram no poder por dois anos na Áustria? Sim, muitas pessoas trabalharam para o Dollfuss naquela época, nenhuma cínica o suficiente para PUBLICAR que o fascismo era ruim, mas trabalhar para ele por dois anos inteiros. Talvez fosse apenas uma “mudança de emergência” de um hipócrita visceral.

      Se faço perguntas retóricas é porque 9 entre 10 historiadores concordariam com ela. A obviedade é tão grande que é difícil ter que repetir o tema inteiro. Ainda recomendei uma série de livros não marxistas que apenas exemplificam isso.

      E repito. Releia a frase de Mises sobre o fascismo, releia o texto. 9 parágrafos falando mal e 1 parágrafo dizendo que apesar de tudo, seu mérito viverá para sempre na história. É o cúmulo da desonestidade.

      • Eduardo Bellani 28 de maio de 2013 às 13:19

        “Não poderia ser mais claro. Caso ainda queira focar neste tema, por
        favor, releia o texto do Mises.”

        Eu estava lhe dando a chance de se redimir, agarrar um pouco de
        humildade e repensar o que você escreveu. Vejo que isso não vai
        acontecer. Pois bem.

        No paragrafo que você traduz, não há julgamento de valor algum da
        parte de Mises sobre o fascismo como modelo a ser adotado. Vou
        repetir, *em nenhum momento ele afirma que o fascismo seja necessário
        ou bom*. Já você atribui o julgamento a seguir a Mises:

        “o fascismo foi uma boa solução para o capitalismo, uma solução
        contingencial, mas boa, como podemos ver aqui” “fascismo é ruim porque
        é violento, intervencionista e etc, mas na contingência do momento,
        para bater e proteger do comunismo, é bom e deve entrar para história
        por isso”.

        O parágrafo ao qual você se refere é esse:

        “It cannot be denied that Fascism and similar movements aiming at the
        establishment of dictatorships are full of the best intentions and
        that their intervention has, *for the moment*, saved European
        civilization. The merit that Fascism has thereby won for itself will
        live on eternally in history. But though its policy has brought
        salvation for the moment, it is not of the kind which could promise
        continued success. *Fascism was an emergency makeshift.* To view it as
        something more would be a *fatal error.*”(ênfase minha)

        Novamente, para enfatizar. *Nada* nesse parágrafo da a entender
        necessidade ou uma qualidade positiva ao fascismo. Apenas reconhece o
        fato que os fascistas expulsaram os comunistas stalinistas. Vide as
        atrocidades que os stalinistas já estavam a cometer, não vejo como que
        isso possa ser visto, a luz do momento que o livro foi escrito(1929),
        como algo incompreensível.

        Agora vejamos um parágrafo onde Mises realmente faz um claro
        julgamento de valor sobre o fascismo:

        “Many people approve of the methods of Fascism, even though its
        economic program is altogether antiliberal and its policy completely
        interventionist, because it is far from practicing the senseless and
        unrestrained destructionism that has stamped the Communists as the
        archenemies of civilization. Still others, in full knowledge of the
        *evil* that Fascist economic policy brings with it, view Fascism, in
        comparison with Bolshevism and Sovietism, as at least the lesser
        *evil*. For the majority of its public and secret supporters and
        admirers, however, its appeal consists precisely in the violence of
        its methods.” (ênfase minha)

        Vou deixar a cargo dos seus leitores a tarefa de analisar ambos os
        parágrafos e reler em seguida seu texto. Suspeito que ele será
        iluminado muito melhor dessa forma.

        Tenha uma boa semana.

      • riorevolta 29 de maio de 2013 às 22:41

        Cara qual parte da FRASE EXPLÍCITA DE MISES: “It cannot be denied that Fascism and similar movements […] are full of the best intentions and that their intervention has, for the moment, saved European Civilization”.

        Como alguém afirma que o “Fascismo salvou a Civilização Européia” sem embuir juízo de valor. Salvou de que!? De quem?! Por que?!

        Inacreditável.

        Não satisfeito no pequeno elogio de dizer que o FASCISMO SALVOU A EUROPA, ele ainda prossegue: “the merit tha Fascism has thereby won for itself will live on eternally in history”. Por ter salvo a Europa, o fascismo viverá eternamente na história.

        É um elogio e tanto…

        ****

        Vou também deixar pros leitores essa.

        Grato pela leitura novamente, tenha um bom dia.

  4. Fausto 28 de maio de 2013 às 14:54

    Como uma pessoa, em pleno século XXI tem coragem de defender apriorismo sintético?

    Nem Popper que era amigo de Hayek, embora discordasse de muitos de seus pontos (na verdade, de quase todos), concordaria com um absurdo destes.

  5. Eduardo Bellani 25 de junho de 2013 às 17:05

    Acabei tropeçando num artigo que, do meu ponto de vista, ilumina bastante essa questão. Acabei lembrando de nossa discussão aqui, por isso o deixo para o possível benefício de seus leitores.

    http://econo-miaytuya.blogspot.com.ar/2013/03/mises-fascist-what-is-seen-argument-and.html

  6. Rodrigo 20 de novembro de 2013 às 18:56

    os Soviéticos armaram hitler na segunda guerra e a NKVD treinou a SS de hitler e ajudou a criar os campos de Concentração .. veja o documentario no youtube que explica essa parte da historia que foi escondida . http://www.youtube.com/watch?v=9CkdYmHgjUE

    • riorevolta 22 de novembro de 2013 às 12:28

      Os soviéticos armaram Hitler?! A URSS mal tinha dinheiro para se armar, quanto mais armar a Alemanha nos anos 30. Os alemães se armaram por conta própria e com todos os meios que poderiam encontrar. Há vastíssima bibliografia sobre isso. Não foram máquinas soviéticas, mas americanas (http://en.wikipedia.org/wiki/IBM_and_the_Holocaust) que aparelharam os campos de concentração nazista. Não foram motores soviéticos, mas americanos (General Motors) que alimentaram extensivamente a máquina de guerra alemã (http://www.washingtonpost.com/wp-srv/national/daily/nov98/nazicars30.htm).

      Isso tudo você tirou de um filme eleitoreiro lituano, duramente criticado inclusive na Lituania, que até o NYTimes falou que o filme “tem sua agenda”. É pura propaganda. É como pegar um filme cubano para saber sobre os EUA, ou num extremo um filme nazista para saber sobre a história dos judeus. É altamente enviesado o filme, há diversos momentos que batem de frente com bibliografia consagrada.

      Contudo é inegável que NKVD colaborou com os nazistas na fatia da Polônia, inimigo histórico russo e alemão, atitude criminosa de Stalin. Que, como eu mesmo digo no post, é um tirano abominável. Mas da mesma forma que até 1938 houve colaboração extensiva entre industriais americanos e membros do governo dos EUA e Inglaterra com os nazistas. Em que país o dirigível nazista pegou fogo mesmo?! Uma dica, não foi em Moscou.

      Enfim, é justamente sobre propaganda tosca anticomunista que fala o texto e você, coroou com um documentário altamente enviesado. Qual é o próximo, “die Ewige Jude”?

      • Rodrigo 29 de novembro de 2013 às 19:56

        Então os soviéticos armaram Hitler na questão de Fornecer ferro para a criação de armas e alimentos para a Wehrmacht , é claro que muitos lucraram nessa guerra , outros países como os Estados Unidos que vc citou que General Motors, IBM e tb bancos americanos ajudaram hitler e o próprio Henry Ford que era um anti semita foi membro do partido e financiou os nazistas .

        Mas temos que entender que a Alemanha usou de base os campos de concentração soviéticos , é claro que não estou acusando Hitler de ser marxista por que em seu livro Mein Kampf ele diz: que os inimigos do povo alemão é o judeus e os comunistas apesar dele falar que o Socialismo dele não é de Marx e sim ” Meu Socialismo nada tem a ver com o marxismo . Marxismo é anti -propriedade . o socialismo verdadeiro não é ” .

        Em seu livro Mein Kampf tb ele diz que nunca poderia fazer uma aliança com a Russia e sim uma aliança com a Inglaterra no final as coisas viraram e Hitler fez um pacto com os inimigos Russos mais é claro ele traio essa aliança para ter o poder total .

        Na realidade Hitler foi um grande Manipulador politico ele não era nem uma esquerda e nem uma direita ele criou um novo sistema politico mundial
        Ele queria o poder a qualquer custo não interessava com quem ele ia fazer uma aliança no final ele queria o poder supremo .

      • riorevolta 4 de dezembro de 2013 às 15:54

        Campos de trabalho não eram exclusividades soviéticas. Os EUA colocaram imigrantes japoneses em campos de trabalho, assim como ao final da guerra os soviéticos prenderam em massa alemães, também o fizeram os EUA (http://en.wikipedia.org/wiki/Labor_camp); na China o Kuomintang (anti-comunista) operou diversos campos de trabalhos forçados; os japoneses até antes da “moda pegar na Europa”, já fizeram uso de campos de prisioneiros em massa (http://en.wikipedia.org/wiki/Burma_Railway). Em 1939 (janeiro) Hitler foi nomeado o homem do ano pela Revista Times, reconhecendo que apesar de seus problemas, inúmeros ocidentais e conterraneos o admiravam e eram grandiosos os seus feitos, apesar da tirania e expurgo de comunistas, socialistas e judeus. Nesta época não haviam campos de extermínio, “só” de trabalhos forçados.

        Ainda em 1938, pouco antes de assinar o referido acordo com Hitler, Stalin tentou sistematicamente se aliar a Inglaterra e França para derrubar Hitler e pegar a Polonia (coisa que Stalin sempre quis, recuperar o império do leste europeu, dos antigos czares). http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/russia/3223834/Stalin-planned-to-send-a-million-troops-to-stop-Hitler-if-Britain-and-France-agreed-pact.html

        Há toda uma série de documentos sendo revelados agora que demonstram isso. O pacto de não-agressão (que por definição só se faz com inimigos, afinal, não se faz pactos de não-agressão com aliados) foi a unica saída de Stalin para evitar uma guerra naquele momento, uma guerra que ele até poderia querer, mas não naquele momento.

        Ele era de extrema direita, a maioria de seus ícones foram deliberadamente roubados da esquerda por propaganda e atrativo, isso seu próprio livro afirma. Autoritário, admirava muito Frederico o Grande, semi-absolutista alemão do século XIX (longe de ser um ícone de esquerda) e abominava burocracia e assembléias, duas marcas notáveis da esquerda bolchevique.

        Enfim, é forçado demais afirmar esta relação. Sobre comércio entre as duas nações, recomendo: http://en.wikipedia.org/wiki/Nazi%E2%80%93Soviet_economic_relations_(1934%E2%80%9341)

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