Rio Revolta

Análise Política, Histórica, Econômica e Social

O “marxismo” citado no Mein Kampf de Adolf Hitler.

 

Lustige Blätter, revista nazista associando judeus, comunistas, americanos e ingleses.

Lustige Blätter, revista nazista associando judeus, comunistas, americanos e ingleses.

Resolvi reunir aqui uma lista enorme de citações de Hitler sobre o marxismo, comunismo, bolchevismo e URSS. É um exercício acadêmico, como fonte de referências futuras. Este texto servirá de apêndice de um outro texto que estou escrevendo. É uma compilação de afirmações ipsis literis de Adolf Hitler a cerca do tema.

Procurei citar os parágrafos e frases importantes para a compreensão da relação (ou falta dela) de Hitler com o marxismo, e, como o autor mesmo fazia, não vai ser difícil observar o evidente antissemitismo associado com o tema. Por incrível que pareça, não estão todas as citações de Hitler sobre o tema em seu livro de 500 e poucas páginas.

O conteúdo é muitas vezes chocante ou contraditório, mas sempre que possível procurei citar o contexto, daí a grande extensão deste texto. Inicialmente começarei com a palavra escrita do próprio autor, retirada de seu livro, o Mein Kampf, na tradução de Klaus Von Puschen, publicada pela editora Centauro em 2001.

Assim, aqui vai:

Página 22: “Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo”

Página 43: “Só o conhecimento dos judeus ofereceu-me a chave para a compreensão dos propósitos íntimos e, por isso, reais da social-democracia. Quem conhece este povo vê cair-se-lhe dos olhos  o véu que impedia descobrir as concepções falsas sobre a finalidade e o sentido deste partido e, do nevoeiro do palavreado de sua propaganda, de dentes arreganhados, vê aparecer a caricatura do marxismo”

Página 51:  No pequeno círculo em que agia, esforçava-me, por todos os meios ao meu alcance, por convencê-los da perniciosidade dos erros do marxismo e pensava atingir esse objetivo, mas o contrário é o que acontecia sempre.”

Página 53:”A doutrina judaica do marxismo repele o princípio aristocrático na natureza. Contra o privilégio eterno do poder e da força do indivíduo levanta o poder das massas e o peso-morto do número. Nega o valor do indivíduo, combate a importância das nacionalidades e das raças, anulando assim na humanidade a razão de sua existência e de sua cultura. Por essa maneira de encarar o universo, conduziria a humanidade a abandonar qualquer noção de ordem. E como nesse grande organismo, só o caos poderia resultar da aplicação desses princípios, a ruína seria o desfecho final para todos os habitantes da terra.

Se o judeu, com o auxílio do seu credo marxista, conquistar as nações do mundo, a sua coroa de vitórias será a coroa mortuária da raça humana e, então, o planeta vazio de homens, mais uma vez, como há milhões de anos, errará pelo éter.”

Página 63: “A democracia do ocidente é a precursora do marxismo, que sem ela seria inconcebível. Ela oferece um terreno propício, no qual consegue desenvolver-se a epidemia. Na sua expressão externa – o parlamentarismo – apareceu como um monstrengo de “lama e de fogo”, no qual, a pesar meu, o fogo parece ter-se consumido depressa demais. ”

Página 116: “Pela segunda vez na minha vida, analisei profundamente essa doutrina de destruição [o marxismo] – desta vez, porém, não mais guiado pelas impressões e efeitos do meu ambiente diário, e sim dirigido pela observação dos acontecimentos gerais da vida política.  […]

Comecei a considerar, pela primeira vez, que tentativa deveria ser feita para dominar aquela pestilência mundial. Estudei os móveis, as lutas e os sucessos da legislação especial de Bismarck. Gradualmente o meu estudo me forneceu princípios graníticos para as minhas próprias convicções – tanto que desde então nunca pensei em mudar minhas opiniões pessoais sobre o caso. Fiz também estudo profundo das ligações do marxismo com o judaísmo.

Página 116: “No meu íntimo eu estava descontente com a política externa da Alemanha, o que revelava ao meu pequeno círculo de meus conhecidos, bem como a maneira extremamente leviana, como me parecia, de tratar-se o problema mais importante que havia na Alemanha daquela época – o marxismo. Realmente, eu não podia compreender como se vacilava cegamente ante um perigo cujos efeitos – tendo-se em vista a intenção do marxismo – tinham de ser um dia terríveis.

Página 116: “Nos anos de 1913 e 1914 manifestei a opinião, em vários círculos, que, em parte, hoje estão filiados ao movimento nacional-socialista, de que o problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo”

Página 127: “O marxismo, cuja finalidade última é, e será sempre, a destruição de todas as nacionalidades não judaicas, teve de verificar, com espanto, que nos dias de julho de 1914, os trabalhadores alemães, já por eles conquistados, despertaram e cada dia com mais ardor, se apresentavam ao serviço da pátria.’

[…]

Tinha chegado agora o momento oportuno de proceder contra a traiçoeira camarilha de envenenadores do povo. Dever-se-ia ter agido sumariamente, sem considerações para com as lamentações que provavelmente se desencadeariam. Em agosto de 1914 tinham desaparecido, como por encanto, as idéias ocas de solidariedade internacional e, no lugar delas, já poucas semanas depois, choviam, sobre os capacetes das colunas em marcha, as bênçãos fraternais de bombas americanas. Teria sido dever de um governo cuidadoso exterminar sem piedade os destruidores do nacionalismo, uma vez que os operários alemães se tinham integrado de novo a Pátria.

“Que se deveria fazer? Por os dirigentes do movimento nos cárceres, processá-los e deles livrar a nação. Ter-se-ia de empregar com a máxima energia todos os meios de ação militar, a fim de destruir essa praga. Os partidos teriam de ser dissolvidos, o Reichstag teria de ser chamado à razão pela força convincente das baionetas.”

Página 160: “Foi assim que os dogmas de Gottfried Feder me incitaram a me ocupar de maneira decidida com esses assuntos que eu pouco conhecia. Comecei a aprender e compreender, só agora, o sentido e a finalidade da obra do judeu Karl Marx. Só agora compreendi bem seu livro – “O Capital’ – assim como a luta da social-democracia contra a economia nacional, luta essa que tem em mira preparar o terreno para o domínio da verdadeira alta finança internacional.”

Página 176: “Antes da guerra, a internacionalização dos negócios alemães já estava em andamento, sob o disfarce das sociedades por ações. É verdade que uma parte da indústria alemã fez uma decidida tentativa para evitar o perigo, mas, por fim, foi vencida por uma investida combinada do capitalismo ambicioso, auxiliado pelos seus aliados do movimento marxista.”

Página 181: “Não precisamos dizer nada sobre os mentirosos jornais marxistas. Para eles o mentir é tão necessário como para os gatos miar. Seu único objetivo é quebrar as forças de resistência da nação, preparando-a para a escravidão do capitalismo internacional e dos seus senhores os judeus”

Página 192: O bolchevismo da arte é a única forma cultural possível da exteriorização do marxismo.

Quando essa coisa estranha aparece, a arte dos Estados bolchevizados só pode contar com produtos doentios de loucos ou degenerados, que desde o século passado, conhecemos sob forma de dadaísmo e cubismo, como arte oficialmente reconhecida e admirada.”

Página 236: “O processo aí emprego pelo judeu é o seguinte: aproxima-se do trabalhador, finge compaixão pela sua sorte ou mesmo revolta contra seu destino de miséria e indigência, tudo isso unicamente para angariar confiança. Esforça-se por examinar cada privação real ou imaginária na vida dos operários, despertando o desejo ardente de modificar a sua situação. A aspiração à justiça social, latente em cada ariano, é por ele levada de um modo infinitamente hábil, ao ódio contra os privilégios da sorte; a essa campanha pela debelação de pragas sociais imprime um caráter de universalismo bem definido. Está fundada a doutrina marxista.

[…]

É que, sob esse disfarce de idéias puramente sociais, escondem-se intenções francamente diabólicas. Elas são externadas ao público com uma clareza demasiado petulante. A tal doutrina representa uma mistura de razão e loucura, mas tal forma que só a loucura e nunca o lado razoável consegue se converter em realidade. Pelo desprezo categórico da personalidade, por conseguinte de toda a civilização humana, que depende justamente desses fatores. Eis a verdadeira essência da teoria marxista, se é que pode se dar a esse aborto de um cérebro criminoso a denominação de “doutrina’. ”

Página 237: “De acordo com as finalidades da luta judaica, que não consistem unicamente na conquista econômica do mundo, mas também na dominação política, o judeu divide a organização do combate marxista em duas partes, que parecem separadas mas, em verdade, constituem um único bloco: o movimento dos políticos e dos sindicatos.”

Página 243:  “Mesmo as eleições de representantes ao “Reichstag” anunciavam, com o seu acréscimo patente de votos marxistas, o desmoronamento  interno cada vez mais próximo e a todos manifesto. Todos os sucessos dos denominados partidos políticos não tinham mais valor, não só por não poderem fazer parar a ascensão da onda marxista, mesmo nas chamadas vitórias eleitorais burguesas, como também pelo fato de já trazerem dentro de si os fermentos da decomposição. Inconscientemente, o mundo burguês já se achava contaminado pelo veneno mortal do marxismo”.

Página 287: “E se uma parte do marxismo, por vezes, tenta, com muita prudência, aparentar indissolúvel união com os princípios democráticos, convém não esquecer, que esses senhores, nas horas críticas, não deram a menor importância a uma decisão por maioria, à maneira democrática ocidental. Isso foi quando os parlamentares burgueses viam a segurança do Reich garantida pela monumental parvoíce de uma grande maioria, enquanto o marxismo com uma multidão de vagabundos, desertores, pulhas partidários e literatos judeus, em pouco tempo, arrebatava o poder para si, aplicando, assim, ruidosa bofetada à democracia. Por isso, só ao espírito crédulo dos magros parlamentares da burguesia democrática cabe supor que, agora ou no futuro, os interessados pela universal peste marxistíca e seus defensores possam ser banidos com as fórmulas de exorcismo do parlamentarismo ocidental”.

Página 288: “Mas, numa época em que uma parte, aparelhada com todas as armas de uma nova doutrina [o marxismo], embora mil vezes criminosa,  se prepara para o ataque a uma ordem existente, a outra parte só pode resistir-lhe sempre se adotar fórmulas de uma nova fé política; em nosso caso, se trocar a senha de uma defesa fraca e covarde pelo grito de guerra de um ataque animoso e brutal.”

Página 291: “À nossa concepção política usual repousa geralmente sobre a idéia de que ao Estado, em si, se pode atribuir força criadora e cultural, mas que ele nada tem a ver com a questão racial; e que ele é, antes de mais nada, um produto das necessidades econômicas ou, no melhor dos casos, o resultante natural da competição política pelo poder. Essa concepção fundamental, em seu lógico e consequente desenvolvimento progressivo, leva não só ao desconhecimento das forças primordiais da raça como à desvalorização do indivíduo. Porque a negação da diferença entre as raças viria a ser o fundamento de um semelhante modo de ver a relação aos povos e depois em relação aos homens individualmente. A aceitação da identidade das raças viria a ser o fundamento de um semelhante modo de ver em relação aos povos e depois em relação aos homens individualmente. Por isso, o marxismo internacional é simplesmente  a versão aceita pelo judeu Karl Marx de idéias e conceitos já há muito existentes de fato sob a forma de aceitação de uma determinada fé política. Sem o alicerce de uma semelhante intoxicação geral já existente, jamais teria sido possível o espantoso êxito político dessa doutrina. Entre os milhões de indivíduos de um mundo que lentamente se corrompia, Karl Marx foi, de fato, um que reconheceu com o olho seguro de um profeta, a verdadeira substância tóxica e a apanhou para, como um feiticeiro, com ela aniquilar rapidamente a vida das nações livres da terra. Tudo isso, porém, a serviço de sua raça.

Página 291: “O mundo burguês é marxistísco, mas acredita na possibilidade de domínio de determinado grupo de homens (burguesia), ao passo que o marxismo procura calculadamente entregar o mundo às mãos dos judeus”.

Página 335: ” Se o programa social do novo movimento consistisse em suprimir a personalidade e por em seu lugar a autoridade das massas, o Nacional-Socialismo já ao nascer, estaria contaminado pelo veneno do marxismo, como é o caso dos partidos burgueses.”

Página 342: “O que nossa burguesia sempre olhou com indiferença, isto é, a verdade segundo a qual ao marxismo só se ligam as classes iletradas era, na realidade, a condição sine qua non para o êxito do mesmo. Enquanto os partidos burgueses, na sua intelectualidade superficial, nada mais representavam do que um bando incapaz e indisciplinado, o marxismo, com um material humano intelectualmente inferior, formou um exército de soldados partidários que obedeciam tão cegamente aos seus dirigentes judeus como outrora aos seus oficiais alemães.”

Página 353: “A força que deu ao marxismo sua espantosa influência sobre as massas não foi a obra intelectual preparada pelos judeus, mas sim a formidável propaganda oral que inundou a nação, acabando pela dominação das camadas populares. De cem mil proletários alemães não se tiram talvez cem que conheçam a obra de Marx, que era estudada, mil vezes mais, pelos intelectuais, especialmente os judeus, do que por genuínos adeptos do movimento nas classes inferiores.

Esse livro não foi escrito para o povo, mas exclusivamente para os líderes intelectuais da máquina que os judeus montaram para a conquista do mundo. ”

Página 361: Só a cor vermelha de nossos cartazes fazia com que afluíssem às nossas salas de reunião. A burguesia mostrava-se horrorizada por nós termos também recorrido à cor vermelha dos bolchevistas, suspeitando, atrás disso, alguma atitude ambígua. Os espíritos nacionalistas da Alemanha cochichavam uns aos outros a mesma suspeita, de que, no fundo, não éramos senão uma espécie de marxistas, talvez simplesmente mascarados marxistas ou melhor, socialistas. A diferença entre marxismo e socialismo até hoje não entrou nessas cabeças. Especialmente, quando se descobriu que, nas nossas assembleias  tínhamos por princípio não usar os termos ‘Senhores e Senhoras’, mas ‘Companheiros e Companheiras’, só considerando entre nós o coleguismo de partido, o fantasma marxista surgiu claramente diante de muitos adversários nossos. Quantas boas gargalhadas demos à custa desses idiotas e poltrões burgueses, nas suas tentativas de decifrarem o enigma da nossa origem, nossas intenções e nossa finalidade.

A cor vermelha de nossos  cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda, com o fito de excitar a Esquerda, de revoltá-la e induzi-la a frequentar nossas assembleias; isso tudo nem que fosse só para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente.”

Página 368-369: “É a essa idéia que a bandeira preta, branca e vermelha, do antigo Reich, deve a sua ressurreição como emblema dos partidos nacionais-burgueses.

É evidente que o símbolo de uma crise que podia ser vencida pelo marxismo, em circunstâncias pouco honrosas, pouco se presta a servir de emblema sob o qual esse mesmo marxismo tem que ser novamente aniquilado. Por mais santas e caras que possam ser essas antigas e belíssimas cores aos olhos de todo alemão bem intencionado, que tenha combatido na Guerra e assistido ao sacrifício de tantos compatriotas, debaixo dessas cores, não pode essa bandeira simbolizar uma luta no futuro.”

Página 384-385: “Ninguém deve esquecer que tudo que há de verdadeiramente grande neste mundo não foi jamais alcançado pelas lutas de ligas, mas representa o triunfo de um vencedor único. O êxito de coalizões já traz na sua origem o germe da corrupção futura. Na realidade só se concebem grandes revoluções suscetíveis de causar verdadeiras mutações de ordem espiritual, quando arrebentam sob a forma de combates titânicos  de elementos isolados, nunca porém, como empreendimentos de combinação de grupos.”

Página 446: “Não o sindicato em si é que é “lutador de classe’, mas o marxismo é que o fez dele um instrumento para a luta de classes. Ele criou as armas econômicas dos Estados nacionais livres, independentes, para aniquilamento da sua indústria nacional e do seu comércio nacional e por consequência para a escravização de povos livres ao serviço do judaísmo financeiro universal super-estatal.”

Página 449: “Quem […] tivesse realmente arruinado sindicatos marxistas a fim de, em lugar dessa instituição da luta de classes aniquiladora, colocar a idéia do sindicato nacional-socialista e contribuir para a sua vitória, esse pertence ao número dos verdadeiros grandes homens de nosso povo e seu busto deverá, um dia, ser dedicado à posteridade, no Walhalla de Regensburg”.

Página 450: Utilidade real para o movimento [sindical], como para nosso povo em geral […] só pode surgir de um movimento sindical nacional-socialista, se esse já estiver tão fortemente embebido das nossas idéias nacional-socialistas que ele não corra mais perigo de seguir as pegadas marxistas. Pois um sindicato nacional-socialista, que visse como sua missão apenas a concorrência aos marxistas, seria pior que nenhum. Ele tem de declarar a sua luta ao sindicato marxista, não apenas como organização, mas antes de tudo, como idéia. Ele deve encontrar nele o pregoeiro da luta de classes e da idéia de luta de classes e deve se tornar, em lugar deles, o guardião dos interesses profissionais dos cidadãos alemães.

Página 488: “Uma aliança, cujo o objetivo não compreenda a hipótese de uma guerra, não tem sentido nem valor. Alianças só fazem para luta. Embora, no momento de ser realizado um tratado de aliança, esteja muito afastada a idéia de guerra, a probabilidade de uma complicação bélica é, não obstante, a verdadeira causa.

[…]

Assim pois, o simples fato de uma aliança com a Rússia é uma indicação da próxima guerra. O seu desenlace seria o fim da Alemanha.

[…]

Os atuais detentores do poder na Rússia, não pensam absolutamente em fazer uma aliança honesta ou de mantê-la.

É preciso não esquecer nunca que os dirigente da Rússia atual são sanguinários criminosos vulgares e que se trta, no caso, da borra da sociedade, que, favorecida pelas circunstâncias, em uma hora trágica, derrubou um grande Estado e, na fúria do massacre, estrangulou  e destruiu milhões dos mais inteligentes de seus compatriotas e agora, há dez anos, dirige o mais tirânico regime de todos os tempos. Não devemos esquecer que muitos deles pertencem a uma raça que combina uma rara mistura de crueldade bestial e grande habilidade em mentir e que se julga especialmente chamada, agora, a submeter o mundo todo à sua sangrenta opressão.”

Página 488: Não devemos esquecer que o judeu internacional, que continua a dominar na Rússia, não olha a Alemanha como um aliado, mas como um Estado destinado à mesma sorte. Não se conclui, porém, nenhum tratado com uma parte, cujo único interesse está no aniquilamento da outra.”

Página 489: “Devemos enxergar no bolchevismo russo a tentativa do judaismo, no século XX, de apoderar-se do domínio do mundo”.

Página 489: “A luta contra a bolchevização mundial exige uma atitude clara com relação à Russia soviética. Não se pode afugentar o Diabo com Belzebu.”

Página 502: “Qualquer idéia de resistência contra a França seria rematada loucura, se não se declarasse guerra de morte aos elementos marxistas que, cinco anos antes, impediram que a Alemanha continuasse a luta nas linhas de frente.”

Página 503: “O fato de ter o nosso soldado outrora lutado com ardor é a prova mais evidente de que não estava ainda contaminado pela loucura marxista. À proporção, porém, que o soldado e o operário alemão, com o decorrer da Guerra, iam caindo nas garras do marxismo, eram elementos perdidos para a Pátria.”

Página 503: “No ano de 1923 estávamos em face de uma situação idêntica à de 1918. QUalquer que fosse a maneira de resistir que se escolhesse, a condição indispensável seria livrar primeiro, o nosso povo do marxismo corruptor.”

Página 505: “No dia em que, na Alemanha, for destruído o marxismo, romper-se-ão, na verdade, para sempre, os nossos grilhões”.

*************

Futuramente pretendo compilar mais citações de Hitler sobre o tema, focando em discursos e documentos oficiais do partido. O objetivo inicial é demonstrar o ódio visceral de Hitler ao marxismo e o incrível rocambole ideológico capaz de fazer o marxismo estar submetido ao capitalismo internacional numa conspiração judaica para dominar o mundo.

Depois destas, alguém ainda tem a desonestidade intelectual de associar marxismo e nazismo?

***

Leandro Dias

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26 Respostas para “O “marxismo” citado no Mein Kampf de Adolf Hitler.

  1. jorge feliciano da silva 14 de maio de 2013 às 14:14

    são essas explicações que muda muita coisas.

    • William A. Costa 12 de junho de 2015 às 14:15

      Basta ler a resposta de Theodor para quebrar toda essa falácia deste texto. Qual a diferença entre eles???? Nenhuma! Só muda a época, portanto as classes ficam e como não é possivel lutar contra um tipo específico de pessoas, os socialistas/comunistas colocam classes contra classes, gays contra héteros, índios e negros contra brancos! Exatamente como os nazistas faziam. Vai ler livro de nazista maluco para ter a resposta que separa o comunismo do fascismo? O baseado é forte mesmo!

  2. Pingback: Por Stanley! Ou do Anti-comunismo rasteiro | Rio Revolta !

  3. Breno 11 de agosto de 2013 às 12:03

    Seria interessante selecionar as passagens específicas sobre “socialismo” (não marxismo) e igualdade. Porque se você diz que ele não era marxista, continuam afirmando que era uma briga dentro da esquerda por um tipo “melhor” de socialismo.

    • riorevolta 20 de agosto de 2013 às 21:20

      Obrigado pela sugestão. Marxista ele não era nem inventando mentiras sobre ele (como a já clássica citação falsa de John Toland recorrente na internet). E antes mesmo de Marx, já existia socialismo e havia em Bismarck por exemplo, um representante histórico do socialismo de direita alemão. Aliás, se formos nos focar pelos principais autores que inventaram que nazismo se insere na esquerda (Mises, Heyek e Friedman), temos que praticamente todo país com Estado influente na economia e na sociedade, é socialista, independente do viéis político que o faz, nos levando a crer hoje, que TODOS os países do mundo são socialistas. O que é uma tremenda forçação de barra.

      Mas seu comentário me inspirou a terminar um antigo texto sobre o “socialismo” de Hitler. Farei em breve.

      Agradeço a visita. Tenha um bom dia.

      • Fenrir Nyere Presotto 13 de março de 2014 às 19:05

        Lindo trabalho, por isso amo a ciencia, sempre tem alguem que pesquisa mais profundamente o tema do que nos esperamos. Com essa nova onda de “nazismo de direita”, creio que mais pesquisadores precisaram voltar a temas ja debatidos exaustivamente, pois sempre existira a chance de manipulaçoes. Agradeço a otima pesquisa amigo, eu ja havia lido Mein Kampf, mas nao havia coletado citaçoes para provar meus pontos. Parabens!

      • riorevolta 17 de março de 2014 às 16:52

        Você quis dizer “Nazismo de esquerda”?

  4. Pingback: O nazismo/fascismo era de direita | Desmentindo os reacionários

  5. Paulo F. 18 de fevereiro de 2014 às 1:20

    Cara, a imagem do post não está abrindo. Poderia consertar, por favor?

  6. Pablo 18 de abril de 2014 às 4:39

    A citação dita da página 505, não achei no livro.

  7. Theodor 21 de abril de 2014 às 3:14

    HITLER, UM SOCIALISTA

    Na vitrine de heróis e monstros da história, Adolf Hitler ocupa o manequim do mais reacionário de todos os tiranos, do político conservador por excelência, do direitista tamanho XG. A etiqueta “ultradireita” evoca imediatamente a imagem de políticos nacionalistas radicais da Europa ou de alucinados jovens neonazistas que desfilam com coturnos, camisetas com suspensório e tatuagens da SS. Existe razão para essa grife?

    Sim. Se “direita” significa “contrário à esquerda”, faz sentido. Os nazistas estavam claramente no lado oposto ao da esquerda na política da Alemanha dos anos 20 e 30. Seus primeiros aliados eram da direita; seus maiores inimigos, depois dos judeus, eram os sociais-democratas e os comunistas. E foi pela nomeação de um conservador, o presidente Paul von Hindenburg, que Hitler chegou ao cargo de chanceler (a), em 30 de janeiro de 1933. “Não me deixarei afastar por quem quer que seja da missão de aniquilar e erradicar o comunismo”, repetia o líder nazista à exaustão para atrair votos dos eleitores que temiam um regime como o soviético na Alemanha. De fato, bastaram dois meses de mandato para que cerca de 10 mil comunistas fossem presos pela polícia (b).

    (a) O parlamentarismo alemão, ainda como hoje, o presidente era o líder de estado, e o chanceler, equivalente ao cargo de primeiro-ministro, chefe de governo.

    (b) No fim de fevereiro de 1933, um jovem comunista holandês ateou fogo no Reichstag, o Parlamento alemão. Os nazistas encararam o ato como início de um golpe soviético e prenderam cerca de 10 mil comunistas em poucas semanas.

    Mas se os nazistas não morriam de amores pelo pessoal da foice e do martelo, também acabaram com os conservadores e domesticaram católicos e monarquistas, a turma que formava a direita tradicional da Alemanha da época (c). Os principais líderes conservadores, com quem os nazistas formavam o governo de coalizão, saíram de cena em 1934, durante a charmosamente batizada “Noite das Facas Longas”. Muitos deles foram executados pela polícia ou pelos bandos nazistas, como o general Kurt von Schleicher, que havia sido chanceler em 1932. Hitler estava ainda mais longe dos liberais, os defensores do livre comércio e do Estado mínimo, o que muita gente conhece como a direita nos dias de hoje (d). “O que os nazistas buscavam era uma forma de comunitarismo anticapitalista, antiliberal e anticonservador”, afirma o ensaísta americano Jonah Goldberg (1).

    (c) Alguns líderes católicos e nobres que se opuseram ao nazismo, entre eles membros da família real da Bavária, foram parar em campos de concentração ao lado de judeus, comunistas e ciganos.

    (d) Na eleição federal de março de 1933, que consagrou a vitória dos nazistas, os partidos liberais tiveram menos de 4% dos votos.

    Repare, por exemplo, nas seguintes reivindicações políticas:

    Nós exigimos a divisão de lucros de indústrias pesadas.

    Nós exigimos uma ampliação, em larga escala, da proteção social na velhice.

    Abolição de rendas não auferidas através do trabalho. Fim da escravidão por juros.

    Nós exigimos a criação de uma classe média saudável e sua conservação, a imediata socialização das grandes lojas de departamento, que deverão ser arrendadas a baixo custo para pequenas empresas, e um tratamento de máxima consideração a todas as firmas pequenas nos contratos com o governo federal, estadual e municipal.

    Nós exigimos uma reforma agrária adequada às nossas necessidades, uma legislação para desapropriação da terra com propósitos de utilidade pública, sem indenização, a abolição dos impostos territoriais e a proibição de toda a especulação com a terra.

    O Estado deverá se responsabilizar por uma reconstrução fundamental de todo o nosso programa nacional de educação, para permitir que todo alemão capaz e laborioso obtenha uma educação superior e subsequentemente seja encaminhado para posições de destaque. […] Nós exigimos que o Estado financie a educação de crianças com excepcionais capacidades intelectuais, filhas de pais pobres, independentemente de posição ou profissão.

    O Estado deve cuidar de elevar a saúde nacional, protegendo a mãe e a criança, tornando ilegal o trabalho infantil, encorajando o preparo físico por meio de leis que obriguem à prática de ginástica e do esporte, pelo apoio incondicional a todas as organizações que cuidam da instrução física dos jovens (2).

    Propostas desse tipo lembram as de políticos brasileiros que dizem lutar pelos pobres, mas elas vêm da primeira plataforma do Partido Nazista, divulgada em 1920.

    «Nas memórias que escreveu na prisão em Israel pouco antes de morrer, Adolf Eichmann, operador da Solução Final e gerente da logística dos campos de extermínio, conta que comemorou quando Hitler e Stálin assinaram um pacto de não agressão, em 1939. “Eu e meus
    camaradas comemoramos o pacto com a Rússia com cerveja e vinho, como era o costume.”

    EICHMANN, UM CARA DE ESQUERDA

    Eichmann conta ainda que havia na SS duas tendências políticas ocultas e divergentes: uma de extrema direita e outra de esquerda. Nesta última, na qual ele se encontrava, o socialismo e o nacional-socialismo eram considerados “uma espécie de irmãos”. “Meus sentimentos políticos se inclinavam para a esquerda, e eu me interessava pelo socialismo tanto quanto pelo nacionalismo”, escreveu (3).»

    Como Hitler conheceu o nazismo

    Quando a Primeira Guerra Mundial acabou, o jovem cabo Adolf Hitler, que participara da guerra como mensageiro, continuou trabalhando no exército. Era uma espécie de espião, que monitorava os mais de 70 grupos nacionalistas e pequenos partidos socialistas em proliferação pela Baviera.

    No dia 12 de setembro de 1919, uma sexta-feira à noite, ele foi assistir a um encontro do Partido dos Trabalhadores Alemães num salão da cervejaria Sterneckerbräu, de Munique. Como muitos outros da época, esse partido era formado por operários e funcionários de baixo escalão – a maioria deles da estação ferroviária da cidade – e lutava contra a especulação financeira e as grandes corporações. “Eu ainda tenho esperança de uma verdadeira e justa forma de socialismo, a salvação das massas trabalhadoras e a libertação da humanidade criativa das correntes do capitalismo exploratório”, afirmou um dos fundadores, o poeta e operário de oficinas ferroviárias Anton Drexler, num panfleto que divulgava as ideias do partido (4). Mas havia uma diferença entre aquele movimento e os outros grupos radicais da Baviera. Além de socialista, o Partido dos Trabalhadores Alemães era nacionalista – e antissemita (e). Culpava os judeus por lucrarem com a guerra e provocarem a derrota da Alemanha. Reunia os nazistas originais, apesar de eles ainda não se chamarem assim.

    (e) O socialismo original pregava uma revolução sem fronteiras de todo o proletariado. Esse era o objetivo de Trótski e a razão de sua grande divergência com Stálin, adepto da estratégia de fortalecer o regime comunista na União Soviética para depois exportá-lo.

    Na palestra daquela sexta-feira à noite, o engenheiro Gottfried Feder apresentou aos cerca de 40 convidados a palestra “Como e por que meios o capitalismo deve ser eliminado”. Quando a conversa migrou para uma possível independência da Baviera em relação à Alemanha e sua anexação à Áustria, o jovem espião Adolf Hitler não conseguiu se manter em silêncio e reagiu com veemência à proposta, pois acreditava que os povos de língua alemã deveriam se juntar num grande país. Os ouvintes na cervejaria se impressionaram com a convicção e o dom de oratória do desconhecido. Na porta de saída da cervejaria, Anton Drexler deu a Hitler um exemplar do panfleto político que misturava socialismo, nacionalismo e antissemitismo.

    Na manhã seguinte, Hitler acordou às 5 horas da manhã. Como de costume, divertiu-se jogando pedaços de pão aos ratos que perambulavam pelo seu cubículo no Segundo Regimento de Infantaria de Munique. Sem conseguir voltar a dormir, resolveu dar uma olhada no livreto que ganhara na véspera. E gostou. “Desde o início, o livreto (f) me despertou interesses, pois nele se refletia um fenômeno que 12 anos antes eu havia sentido. Involuntariamente, vi se avivarem as linhas gerais da minha própria evolução mental”, contou ele, anos depois, em sua biografia Minha Luta, lançada a partir de 1925 (5).

    (f) Até meados da década de 1920, Anton Drexler, cujo panfleto defendia a luta contra o capitalismo, era chamado de führer pelos nazistas. E o economista Gottfried Feder, cuja palestra anticapitalista impressionou Hitler na reunião da cervejaria, foi em todo o início do nazismo a principal voz econômica dos nazistas – era conhecido como “o filósofo do partido”.

    Hitler já era um dos diretores do Partido dos Trabalhadores Alemães no ano seguinte, quando o grupo resolveu mudar de nome. A primeira ideia de Hitler foi “Partido Social Revolucionário”, mas ele acabou concordando que o nome “Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães” atrairia ao mesmo tempo socialistas e nacionalistas. Mais que um ideólogo, um pensador do nazismo, Hitler foi um divulgador de ideias que estavam mais ou menos difundidas na Alemanha do pós-guerra. No início formado por poucas dezenas de membros, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães cresceu com mais velocidade depois de ganhar Hitler como arauto. Diferentemente dos oradores da época, quase todos senhores acostumados a fazer discursos solenes e pomposos, ele usava a linguagem popular e um ritmo vibrante. Logo deixou as mesas compridas das cervejarias para discursar em auditórios apinhados. O tema de suas falas era quase sempre o mesmo: os judeus, tanto comunistas quanto capitalistas, eram a raiz de todos os males da Alemanha, os responsáveis por transformar o glorioso passado do país na miséria a que estava então submetido; portanto, era preciso eliminar os judeus a fim de que a Alemanha voltasse a ser uma potência. A veemência fanática dos comícios e a explicação simples para os problemas sociais atraíam adeptos e enfureciam os opositores (ou qualquer pessoa com o parafuso no lugar). No fim de 1921, o Partido Nazista já tinha 2 mil membros.

    Nazismo e comunismo se tornaram, assim, lados opostos da mesma moeda revolucionária – ou “gêmeos heterozigotos”, como descreve o historiador francês Pierre Chaunu. Um lado pretendia exterminar o outro, mas ambos queriam varrer a ordem capitalista para criar um mundo perfeito, sem conflitos de classe – e nenhum deles via problema em matar alguns milhões e alcançar sua versão do paraíso terrestre.

    Havia tantas semelhanças entre o novo partido e os revolucionários comunistas que muita gente se confundia. Hitler achava graça dessa confusão. “Os espíritos nacionalistas da Alemanha cochichavam a suspeita de que, no fundo, não éramos senão uma espécie de marxistas, talvez simplesmente marxistas, ou melhor, socialistas”, escreveu ele em sua biografia (6).

    Não era coincidência. Na autobiografia, Hitler conta que se inspirou nos movimentos comunistas para escolher o vermelho das bandeiras, os locais dos discursos, os símbolos do partido e até a ideia de panfletar pela cidade em caminhões “cobertos com o maior número possível de panos vermelhos, arvorando algumas bandeiras nossas” (7). A tática de criar confusão nos comícios também veio dos opositores. “Hitler aprendeu, com os organizadores dos comícios da esquerda, como eles deviam ser orquestrados, o valor da intimidação dos oponentes, as técnicas de disrupção e como lidar com os distúrbios”, conta o historiador inglês Ian Kershaw. A cópia tinha um objetivo: atrair operários que até então simpatizavam com o comunismo. “De repente, nossas reuniões começaram a ficar repletas de operários. Eles entravam como inimigos e, ao saírem, se já não eram adeptos nossos, pelo menos submetiam sua própria doutrina a um exame refletido e crítico”, escreveu Hitler. “Pouco a pouco, depois de um discurso meu, que durava 3 horas, adeptos e adversários chegaram a fundir-se em uma só massa cheia de entusiasmo” (8).

    No fim de 1923, Hitler deu um golpe frustrado contra o governo da Baviera. Foi preso e teve o partido banido. Em 1925, o movimento voltou à legalidade e renasceu com força. Em 1926, já tinha 27 mil filiados e, a partir de então, dobraria a cada ano, até chegar a 800 mil em 1931 (9). O responsável por esse crescimento, além de Hitler, foi Gregor Strasser, “sem dúvida a figura mais poderosa da nova era do partido”(10). Strasser difundiu o nazismo para fora da Baviera, principalmente entre operários do norte da Alemanha, além de organizar a propaganda e a estrutura dos gabinetes
    locais.

    Enquanto Hitler se concentrava nos grandes discursos e táticas políticas, Strasser era o homem que comandava o dia a dia partidário. A fórmula do sucesso para conquistar tantos participantes? Um discurso que hoje ganharia curtidas no Facebook e aplausos no Fórum Social Mundial. “Nós somos socialistas”, dizia Strasser. “Somos inimigos, inimigos mortais do sistema econômico capitalista de hoje, com sua exploração dos economicamente fracos, seu sistema salarial injusto, sua maneira imoral de julgar o valor de seres humanos em termos de riqueza e dinheiro, em vez de por sua responsabilidade e seu desempenho, e estamos determinados a destruir esse sistema aconteça o que acontecer” (11).

    Em 1934, o sociólogo americano Theodore Abel colheu depoimentos da velha guarda do Partido Nazista. Perguntou aos participantes como eles haviam aderido. Os testemunhos, que resultaram no livro Why Hitler Came into Power, mostram que o nazismo, para os alemães, era uma opção a mais entre os movimentos revolucionários
    socialistas. Um mineiro contou a Theodore Abel que se tornara nazista porque se interessava pela melhoria das condições dos trabalhadores, mas ficava perturbado com a negação marxista do valor da nação. “Eu me perguntava por que o socialismo precisava estar amarrado ao internacionalismo – por que ele não poderia funcionar
    tão bem, ou até melhor, combinado com o nacionalismo” (12).

    Apesar do ódio de boa parte dos nazistas aos homens de negócio, não se pode dizer que Hitler surfava na mesma onda. “Seu anticapitalismo era puramente antissemita e permitido apenas para o ataque a capitalistas judeus, que, em sua opinião, controlavam tudo”, afirmou o historiador alemão Karl Dietrich Bracher (13). Hitler incomodava pouco os empresários “arianos” (g) e, conforme o Partido Nazista ganhava importância na política alemã, tratou de tranquilizá-los de que não faria travessuras econômicas. Até então, a gritaria anticapitalista da turma da suástica deixava industriais e comerciantes assustados. “Os grandes empresários não eram amigos da democracia. Mas em sua maioria, tampouco queriam ver os nazistas dirigindo o país”, afirma o historiador Ian Kershaw (14). Os empresários tinham razão ao temer os nazistas, pois a ascensão de Hitler também os levou à ruína.

    (g) A origem da palavra “ariano” é tão esquisita quanto as teorias raciais sobre ela. Ariano quer dizer iraniano, o povo originário da Ária, a parte da Pérsia mais próxima à Índia, onde hoje fica o Irã. Os antropólogos racistas do século 19 achavam que as pessoas do Cáucaso (que inclui o Irã) eram os melhores exemplares da raça branca (daí ser chamada caucasiana). Hitler considerava que os alemães eram mais arianos que os próprios arianos, que haviam se miscigenado.

    Grandes empresários também foram parar em campos de concentração

    No começo da década de 1930, a República de Weimar entrou em mais uma crise: nenhum partido conseguia a maioria necessária no parlamento para eleger o chanceler. Novas eleições eram convocadas e, em cada uma delas, o Partido Nazista
    ficava maior.

    Diante da oportunidade de virar chanceler, Hitler apaziguou o discurso anticapitalista e começou a organizar reuniões e jantares com endinheirados alemães. Passou o fim de 1931 rodando o país em reuniões com empresários, industriais e aristocratas. O interessante é que fazia isso em segredo, sem motivar notícias nos jornais, para evitar a imagem de que era amigo dos ricos. “O partido tinha de manobrar entre os dois lados”, conta o jornalista William Shirer no clássico Ascensão e Queda do Terceiro Reich . “Devia permitir a Strasser, a Goebbels e ao maníaco Feder seduzirem as massas com o grito de que os nacional-socialistas eram verdadeiramente socialistas e contra os magnatas do dinheiro. Por outro lado, o dinheiro para manter o partido devia ser obtido jeitosamente daqueles que o possuíam em abundância” (15).

    Os membros mais anticapitalistas do grupo aos poucos se afastaram ou foram mortos nessa época. Gottfried Feder, aquele que deu a palestra contra o capitalismo ao cabo Adolf Hitler na cervejaria, acabou se refugiando num cargo de professor universitário, mas apoiou o nazismo até sua morte, em 1941. Anton Drexler, o fundador, terminou a vida cheio de homenagens, condecorações e nenhuma importância política. Gregor Strasser brigou com Hitler em 1932 – dois anos depois, foi preso pelo governo nazista e fuzilado em sua cela por ordem de Hitler.

    A proximidade com o poder atraiu banqueiros, industriais e magnatas (por afinidade ideológica ou interesse nos saborosos contratos públicos, como acontece hoje). O caso mais interessante é de Gustav Krupp, dono do conglomerado de siderurgia que formava a maior empresa europeia. Monarquista, como a maioria dos grandes industriais, Krupp apoiava os conservadores e fez de tudo para que o presidente alemão, Paul von Hindenburg, rejeitasse Hitler como chanceler. Ao perceber que sua vontade foi ignorada, Krupp se tornou da noite para o dia um “supernazi”, como disse o colega Fritz Thyssen.

    A aliança dos empresários com Hitler fez muitos historiadores retratarem o nazismo como resultado dos famosos “interesses econômicos” e Hitler, como um fantoche de empresários (h). Essa tese foi refutada, já nos anos 60, pela teoria da primazia da política, segundo a qual os nazistas usaram as grandes empresas como títeres no esforço de guerra, submetendo lucros aos interesses da nação. “Ele [Hitler] ignorava totalmente os princípios da economia”, conta o biógrafo Ian Kershaw. “Apesar de defender a propriedade privada, a empresa individual e a competição econômica, e desaprovar a interferência de sindicatos na liberdade de donos e gerentes de dirigir seus negócios, seria o estado, e não o mercado, que determinaria a forma de desenvolvimento econômico. Desse modo o capitalismo continuaria vigente – mas, em seu funcionamento, ele foi transformado em um adjunto do Estado” (16).

    (h) A empresa que mais lucrou ao se aproximar da administração nazista foi IG Farben, que usou o trabalho escravo dos campos de concentração para fornecer ao governo borracha sintética, combustíveis e produtos químicos.

    «O antissemitismo na Alemanha não era uma exclusividade dos nazistas. Membros de outros partidos socialistas também desprezavam judeus – e até mesmo o judeu Karl Marx, o pai do comunismo, expressou opiniões que parecem ter inspirado Hitler. No ensaio Sobre a Questão Judaica, escrito em 1843, Marx diz: “Qual a base profana do judaísmo? A necessidade prática, o interesse pessoal. Qual o culto mundano do judeu? A usura. Qual o seu deus mundano? O dinheiro. Muito bem! Ao emanciparse do tráfico e do dinheiro e, portanto, do judaísmo real e prático, a nossa época conquistará a emancipação do judaísmo”.

    MARX CONTRA OS JUDEUS

    Trata-se da velha ideia de que o capitalismo imperou no mundo por causa dos judeus. Marx prossegue com uma receita de como eliminar o judaísmo de todas as esferas: “Uma organização da sociedade que abolisse os pressupostos da usura, por conseguinte, a própria possibilidade de comércio, impossibilitaria a existência do judeu. A sua consciência religiosa dissolver-se-ia como um vapor insípido na atmosfera real, tonificante, da sociedade. […] Descobrimos, pois, no judaísmo um elemento antissocial universal do tempo presente, cujo desenvolvimento histórico, zelosamente coadjuvado nos seus aspectos perniciosos pelos judeus, atingiu agora o ponto culminante, ponto em que tem necessariamente de se desintegrar”.»

    Até os magnatas mais comprometidos com o nazismo se arrependeriam do apoio a Hitler. “Com o passar do tempo, os empresários verificaram que o regime tinha interesses próprios que cada vez mais divergiam dos deles”, afirma o historiador inglês Richard Evans (17). Durante o Plano dos Quatro Anos, liderado pelo ministro Hermann Göring (i), o governo passou a direcionar toda a economia para a guerra. Expropriou minas e indústrias, criou uma penca de estatais, dificultou a exportação de produtos necessários ao rearmamento alemão, aumentou impostos dos mais ricos (j) e interveio nas indústrias privadas determinando o que elas deveriam produzir e a que preço. Uma simples venda ao exterior exigia a apresentação de mais de 40 documentos. Ainda era preciso se submeter à extorsão de membros do partido, que exigiam contribuições para as campanhas.

    (i) A partir de minas e fábricas nacionalizadas, o ministro criou uma estatal com seu próprio nome, a Siderúrgica Hermann Göring. Isso cheira a Hugo Chávez, não?

    (j) Hitler aumentou os impostos dos alemães mais ricos para 50% da renda pessoal.

    Aos poucos, os empresários perceberam que o nazismo permanecera avesso ao livre comércio. O peso do governo sobre a economia convergia com antigos ressentimentos de Hitler. Na autobiografia escrita lá no começo, em 1925, ele diz: “Se durante a [Primeira] Guerra as fábricas alemãs tivessem exercido pressão, por meio de greves, sobre os acionistas famintos de dividendos, se tivessem se mostrado fanáticas no seu germanismo, em tudo que concerne à defesa nacional, se tivessem também dado à pátria o que é da pátria, sem restrição alguma, não teríamos perdido”. Na revanche de 1939, Hitler forçaria as empresas a se sacrificarem pela pátria.

    «Ao defenderem bandeiras abjetas como a eugenia, as leis discriminatórias e a deportação em massa, os nazistas diziam estar apenas copiando feitos de outros países. Não era uma mentira completa, apesar da eficiência do extermínio industrial de judeus ser inédita. Nos Estados Unidos, as leis “Jim Crow” segregavam os negros em ônibus, trens, escolas e universidades.

    CHURCHILL A FAVOR DA EUGENIA

    Na Turquia, o Império Otomano praticou o primeiro grande genocídio do século 20. Durante a Primeira Guerra Mundial e pouco depois dela, quase toda a população de armênios, cerca de 2 milhões de pessoas, foi expulsa do país – boa parte dela morreu nas “marchas da morte” rumo a alguma fronteira. E a esterilização forçada era praticada em alguns estados do Canadá e dos Estados Unidos, além do Japão e em quase todos os países do norte da Europa – na Suécia, a eugenia era oficial até 1976.

    Até mesmo Winston Churchill, o ídolo do autor deste livro, o maior líder político do século 20, o senhor da guerra que ganhou o Nobel de Literatura, cometeu a bobagem de defender a eugenia. Entre 1910 e 1911, quando foi ministro do Interior, Churchill tentou aprovar uma lei para permitir a esterilização de 120 mil deficientes mentais. Para Churchill, essas pessoas “mereciam tudo que podia ser feito a elas por uma civilização cristã e científica”, mas deveriam ser “segregadas sob condições apropriadas para que sua doença morra com elas e assim não a transmitam para gerações futuras”.

    No mesmo ano, Churchill escreveu numa carta que “o crescimento rápido e artificial das classes insanas e débeis mentais, ao lado da constante restrição dos grupos prósperos, enérgicos e superiores, constitui um perigo à nação e à raça que é impossível de ser exagerado”. Poucos parlamentares se opuseram à lei, que acabou sendo aprovada – sem permitir a esterilização, apenas o confinamento dos deficientes mentais. Décadas depois, quando a eugenia virou bandeira de radicais nacionalistas, Churchill mudou de ideia.»

    Um dos industriais a apoiar Hitler com mais convicção foi Fritz Thyssen – e sua história é um excelente exemplo do que aconteceu com os empresários na Alemanha nazista. Thyssen era herdeiro das maiores minas e indústrias de siderurgia do país – em 1938, sua companhia era a quarta maior do país em número de funcionários. Foi o principal empresário aliado de Hitler desde que o conheceu, em 1923. Dez anos depois, foi por insistência de homens como Thyssen que o presidente Paul von Hindenburg acabou indicando Hitler para o cargo de chanceler. Aos poucos, porém, Thyssen começou a se assustar com o radicalismo dos nazistas no poder. Depois de 9 de novembro de 1938, a “Noite dos Cristais Quebrados” (k), o magnata decidiu retirar seu apoio. No ano seguinte, avisou ao governo que discordava da guerra e fugiu para a Suíça. Acabou capturado por agentes nazistas na França, enviado a um sanatório e, depois, a um campo de concentração. Ficou preso com a mulher até o fim da Segunda Guerra Mundial. Pouco antes de morrer, ao reavaliar sua vida, disse: “Como fui estúpido”.

    (k) Membros do Partido Nazista, armados com machados e martelos, saíram por cidades da Alemanha e da Áustria destruindo sinagogas, lojas, casas e cemitérios de judeus, além de matar e levar milhares deles para campos de trabalho.

    OS MONSTROS POLITICAMENTE CORRETOS

    Como o nazismo pôde acontecer?
    Até 1930, a Alemanha discriminava os judeus tanto quanto outros países europeus. De acordo com uma extensa pesquisa do sociólogo americano William Brustein, que contabilizou artigos de jornais, ataques civis e leis discriminatórias, o antissemitismo era mais forte no leste europeu. Na Rússia e na Polônia, pogroms (os ataques repentinos a judeus, comuns no fim do século 19) aconteceram até a década de 1920. Pela pesquisa de Brustein, Inglaterra, França, Alemanha e Itália (l) empatavam na quantidade de artigos associando judeus a crimes e à crise econômica (18). Na Alemanha, os judeus se casavam mais com mulheres cristãs que com judias. O termo “casamento misto” nem mesmo era usado para casais judeus e cristãos, e sim para protestantes e católicos, ou brancos e negros ou asiáticos.

    (l) Entre muitos exemplos de antissemitismo britânico está o de Jack, o Estripador. Em 1888, quando vítimas do maníaco apareciam mortas nas ruas de Londres, moradores saíam em protestos contra judeus, que evitavam ir à rua e mantinham lojas fechadas.

    Dez anos depois, porém, esse país, um dos mais educados da Europa e não mais antissemita que os vizinhos, fuzilava crianças judias em casa, invadia quartos de hotéis para flagrar judeus no ato com cristãs, defendia o direito de violentar qualquer judia que andasse pela rua à noite e planejava uma indústria de horror nunca antes vista em toda a história da humanidade, capaz de matar e cremar os corpos de 2 mil pessoas por hora. Como isso pôde acontecer?

    A resposta mais frequente mira na repressão e no enorme poder de persuasão dos nazistas. A demonização dos oponentes, os cartazes de propaganda, os filmes extremamente bem construídos exaltando a raça e o regime, os discursos hipnóticos de Hitler e as enormes marchas anuais de Nuremberg resultaram numa lavagem cerebral das multidões alemãs. A população, vulnerável com a hiperinflação que destruiu a economia do país na década de 1920, se refugiou no radicalismo e na salvação que Hitler anunciava. A ideia de que os judeus eram a causa de todos os problemas do país fez os cidadãos, quando não apoiavam com feroz entusiasmo os terríveis crimes do governo, virarem as costas para os judeus. “O caminho para Auschwitz foi construído com ódio, mas pavimentado pela indiferença”, diz uma famosa frase do historiador Ian Kershaw.

    Alguns estudiosos adicionam mais itens a essa resposta. Um deles era as boas intenções, com as quais, diz o sábio ditado, se preenche o inferno. A força dos nazistas se nutria não só do ódio, mas também dos nobres sentimentos de esperança e otimismo, vontade de mudar o país, esforço para praticar somente ações que a ciência da época considera positivas e edificantes. Amparados em ideias raciais bem-aceitas nas universidades e em centros de pesquisa da Europa, apresentando-se como os guardiões da cultura nacional que restaurariam a glória de tempos passados, os nazistas eram os politicamente corretos da época. “O nazismo se baseou não só na repressão, mas no encanto de ideias coletivas de desenvolvimento cívico”, afirma a historiadora americana Claudia Koonz, da Universidade Duke. “O caminho para Auschwitz foi pavimentado pela correção moral” (19).

    Jovens revolucionários e politicamente corretos criaram Auschwitz

    Se hoje a suástica nos faz lembrar de ódio, discursos furiosos e marchas impecáveis com centenas de milhares de coturnos, muitos alemães da época enxergavam naquela ideologia maluca o contrário: generosidade abnegada e amor fraternal pelos companheiros de etnia, alegria e celebração da cultura alemã. Nos discursos de Hitler, palavras como “amor”, “coração”, “alma”, “ajuda mútua”, “determinação”, “futuro”, “autossacrifício” são tão comuns quanto “judeus” e “comunistas”. Ao lado do ódio às minorias, os jovens nazistas pregavam coisas que ainda hoje parecem do bem: deixar de pensar apenas em si próprio, respeitar o cidadão germânico como um irmão, preocupar-se menos com conquistas materiais – abandonando a cultura consumista e frívola –, dedicar-se mais à sociedade. “Trate seu camarada como você gostaria de ser tratado”, dizia um slogan comum dos cartazes nazistas.

    Por esse ponto de vista, os nazistas conquistaram o povo quando conseguiram difundir uma nova consciência moral na Alemanha. Nessa estranha noção de certo e errado, as atitudes mais éticas que poderiam tomar eram aquelas que preservavam a pureza do povo germânico e atendiam à necessidade de sacrifício pela pátria de modo incondicional. Em respeito às gerações passadas e futuras, os alemães deveriam se esforçar para não ter piedade e sentimentalismos com as “raças menores”. Como pregava Heinrich Himmler, “tudo o que fazemos deve ser justificado em relação a nossos ancestrais. Se não encontramos esse vínculo moral, o mais profundo e o melhor porque mais natural, não seremos capazes de vencer o cristianismo e construir o Reich germânico que será uma benção para a Terra” (20).

    Dentro dessa loucura moral, Hitler posava não como um monstro sem escrúpulos, mas como o fiel guardião do orgulho alemão, tão devastado pela derrota na Primeira Guerra Mundial e pela hiperinflação dos anos 20. “Como uma resposta ao sentimento de impotência nacional dos alemães, Hitler fez de si próprio um pregador da virtude”, afirma Koonz.

    A preocupação em parecer o alemão mais ético e virtuoso vinha de longe. Em 1919, em seu primeiro texto antissemita, Hitler defende o “renascimento das forças morais e intelectuais da nação”; cinco anos depois, preso por tentar derrubar o governo da Baviera, afirma que o comunismo só será vencido por um “nacionalismo extremamente radical da mais alta ética e moral social”; e em outubro de 1933, já líder supremo da Alemanha, promete num discurso de rádio “restaurar a ordem do nosso povo, dando trabalho e pão para as massas famintas e proclamando os conceitos de honra, lealdade e decência como elementos do código de moral e ética” (21). Para arrematar: “eu me vejo como o homem mais independente que existe, subordinado a ninguém, em dívida com ninguém, respondendo apenas à minha consciência. E a minha consciência tem apenas um comandante – o povo alemão”.

    Livros, institutos de pesquisa e professores universitários apregoavam os riscos da miscigenação, ao ponto que mesmo alemães tolerantes, que desprezavam Hitler e o nazismo, passaram a ter um preconceito polido contra os grupos perseguidos. E isso acontecia com alemães de qualquer idade. Em 1940, um garoto de 12 anos chamado Alfons Heck teve um amigo, um menino judeu chamado Heinz, capturado com a família por homens da Gestapo. Em vez de reclamar da intolerância dos policiais, Alfons considerou a deportação justa. E lamentou o “erro” da família do amigo. “Que azar que Heinz era judeu”, escreveu Alfons (m)(22).

    (m) Um exemplo lapidar dessa inversão de valores é a opinião de Carl Schmitt, na época um dos maiores juristas da Alemanha e – pasme – especialista em direito constitucional. “Nem todo ser com cara de humano é humano”, resumiu ele ao defender o extermínio dos judeus.

    Em 1933, cinco meses depois da posse de Hitler, o governo mandou um comunicado aos professores intitulado Diretrizes para os Livros de História. O texto recomendava a esses profissionais que deixassem a educação tradicional dos livros e fossem com os alunos para perto da natureza. Então o texto partia para afirmar que era preciso resgatar velhos valores de lealdade, de heroísmo e de comprometimento com o futuro da nação. O professor deveria montar as aulas a partir “do conceito de heroísmo ligado à ideia de liderança”, sugerindo redações sobre a unidade germânica sob a dominação de Hitler e a “revolução nacionalista como um começo de uma nova era” (23).

    Nas aulas de matemática, os alunos calculavam quanto o governo gastava ao manter um doente mental no asilo, sugerindo a justificativa para o programa de eutanásia dos doentes mentais. Outro manual de educação dizia aos professores que deixassem os alunos “ansiando por uma liberdade interior, para a alegria no trabalho em si e não apenas como um meio de enriquecer”, afinal o “nacional-socialismo não é nada mais que a celebração da vida”.

    Como quase sempre acontece com ideias nefelibatas e revolucionárias, os jovens adoraram. O nazismo seduziu moças e rapazes dispostos a dedicar a vida pelo país (n). Eles participaram entusiasmados das fileiras e do governo nazista porque viam ali oportunidade de deixar de lado o tédio da vida burguesa e transformar-se em pessoas de ação. “Para a maior parte dos jovens alemães, o nacional-socialismo não significava ditadura, censura e repressão; significava liberdade e aventura”, afirma o historiador alemão Götz Aly. “Eles enxergavam o nazismo como uma extensão natural do movimento jovem, um regime antienvelhecimento da mente e do corpo” (24).” Praticar esportes, por exemplo, voltou à moda nessa época.

    (n) Os estudantes captaram bem esse espírito. Ao vender rifas beneficentes ou pedir dinheiro para festas ou ações de caridade, eles repetiam o lema “primeiro a necessidade nacional, depois a ganância individual”.

    Como os nazistas consideravam a etnia uma entidade que se perpetuava além das gerações, era preciso cuidar da saúde, em respeito às gerações passadas e futuras. “O corpo não pertence a você, pertence à nação”, dizia um pôster. “Aprenda a sacrificar-se pela pátria. Nós somos todos mortais. A pátria segue em frente”, podia-se ler na legenda de fotos que exibiam um Hitler sorridente (25). Pois é, Hitler sorria – profusa e
    calculadamente.

    Muitos jovens sentiram que, enfim, haviam encontrado uma causa para se dedicar incondicionalmente, uma razão para viver. “Foi uma honra para mim estar entre os primeiros estudantes que participaram daquele trabalho pioneiro”, escreveu uma estudante voluntária durante a guerra. “Estávamos unidos numa grande missão: usar nossas férias para trabalhar na Polônia com toda a força e conhecimento que tivéssemos”. O diário de um rapaz de 27 anos, trabalhando na ocupação nazista em Praga, mostra a vontade dos jovens nazistas em parar com discussões e “sentimentalismos” e partir para a ação. “Nós aprendemos muito cedo, durante os dias de luta do movimento, a procurar por desafios, em vez de esperar que eles venham até nós” (26).

    Um desses jovens era Melita Maschmann. “Eu queria fugir da vidinha pequena e infantil que levava com meus pais e me engajar em alguma coisa grande e fundamental”, contou ela em sua biografia, lançada em 1965. Como muitos jovens, Melita grudou uma suástica no braço interessada não exatamente em política, mas nos esportes, caminhadas e acampamentos com fogueiras organizados pela Juventude Hitlerista. Logo, foi atraída pelas questões nacionais e virou líder da Liga das Moças Alemãs, a ala feminina da Juventude Hitlerista. “Minha família tinha planos conservadores para mim. Na boca dos meus pais, as palavras ’social’ ou ’socialista’ tinham sempre um tom de desprezo. Mas eu acreditava nos nazistas quando eles propunham acabar com o desemprego e tirar 6 milhões de pessoas da pobreza. Eu acreditava neles quando diziam que iam unificar a nação alemã, então dividida em mais de 40 partidos, e superar as consequências ditadas no Tratado de Versalhes”, escreveu ela (27).

    Contra a vontade dos pais “conservadores”, Melita passou a se dedicar integralmente ao nacional-socialismo. Em 1942, viajou à Polônia, então ocupada pelo exército alemão, para fazer trabalho voluntário. Com 23 anos, era a mais velha de um grupo de 12 colegas. A vida no país ocupado não tinha regalias nem conforto, mas isso só aumentava o espírito de aventura da empreitada, a autonomia e a responsabilidade. O trabalho de Melita não era dos mais limpos. A ocupação nazista expulsava judeus e eslavos dos povoados para levá-los aos campos de extermínio e, no lugar, estabelecia descendentes germânicos (o). Cabia a Melita e a suas colegas entrar nas casas dos judeus, limpá-las, rearranjar móveis, queimar fotografias e objetos pessoais sem valor (p). Quando os novos moradores chegavam, ela e as colegas organizavam aulas de alemão e teoria racial para os assentados. Até o fim da guerra, a garota trabalhou sem descanso em seu projeto de mundo melhor. Mesmo depois do suicídio de Hitler, Melita demorou 12 anos para se libertar das ideias nazistas.

    (o) No século 18, Prússia, Áustria e Rússia conquistaram e dividiram a Polônia. Os poloneses só reouveram sua independência depois da Primeira Guerra Mundial, passando a abrigar em seu território povoados de origem alemã.

    (p) Não faltavam casas e povoados para serem organizados por Melita e suas colegas, pois 1942 foi o ano de maior extermínio dos judeus. Mais da metade das vítimas de Hitler seria morta nesse ano.

    Os líderes nazistas conheciam muito bem o entusiasmo desses voluntários. Uma década antes, eram eles os jovens idealistas. Na noite de 30 de janeiro de 1933, depois de sucessivas tentativas de formar um governo de coalizão, Hitler enfim foi nomeado chefe do governo. Nesse momento, Adolf Eichmann, que se tornaria o diretor dos campos de extermínio, tinha 26 anos; Reinhard Heydrich, o inventor do extermínio em massa, 28; Albert Speer, o arquiteto-chefe de Hitler, 27. Um dos mais velhos do grupo, com 35 anos, era o filósofo, doutor em língua alemã e escritor fracassado Joseph Goebbels. Naquela noite, ele registrou com uma alegria juvenil a festa que tomou conta de Berlim quando Hitler apareceu na janela do Parlamento alemão anunciando que ganhara o cargo de chanceler. Depois de dar entrevistas para quase todas as estações de rádio alemãs, Goebbels chegou a casa às 3 horas da manhã ainda eufórico. “É quase um sonho… um conto de fadas”, escreveu ele em seu diário. “O novo estado acabou de nascer! Uma explosão de energia popular. Linda euforia, as pessoas enlouquecidas na rua. A revolução alemã começou!” Os jovens revolucionários que pregavam um mundo perfeito estavam prontos para criar o pior dos mundos.

    «Um bom livro a comparar nazismo e comunismo é A Infelicidade do Século, do historiador francês Alain Besançon. Apesar de ser recomendado e traduzido no Brasil por Emir Sader, eterno defensor de qualquer desvario socialista, o livro tem uma mensagem clara: nazismo e comunismo são irmãos gêmeos que brigam. Besançon compara as duas ideologias a partir de três tipos de destruição: física, política e moral.

    Na destruição física, é difícil dizer quem foi pior. Os comunistas mataram mais (por volta de 80 milhões de pessoas (28), contra 10 milhões dos nazistas), mas num período mais longo e em mais países. Deportações em massa, chacinas a céu aberto ou com gases asfixiantes ocorreram na União Soviética desde a década de 1920. A NKVD, a polícia secreta soviética, criou em 1936 uma câmara móvel de gás, instalada num caminhão que levava as vítimas para a vala comum enquanto elas morriam. Hitler copiou e aperfeiçoou esses métodos.

    Os comunistas saem na frente na categoria repressão à população. Isso porque o inimigo principal dos nazistas pertencia a uma categoria delimitada – os judeus. Já no comunismo, qualquer pessoa é suspeita. “Daí o medo torturante que pesava sobre toda a população”, diz Besançon. Todo um corpo de espiões e interrogadores era necessário para revelar os inimigos do sistema. Por esse motivo, a Stasi, polícia secreta da Alemanha Oriental, tinha um agente para cada 166 alemães (sem contar os milhões de informantes), enquanto na Gestapo, a polícia nazista, a razão era de um agente para cada 2 mil alemães.

    Na destruição política, dá empate. No poder, comunistas e nazistas trataram não só de eliminar qualquer oposição como de remodelar as formas de vida social: a família, a religião, os clubes, os sindicatos, os demais partidos políticos. “As pessoas foram privadas de todo o direito de associação, de agregação espontânea, de representação”, diz Besançon (29).

    NAZISMO E COMUNISMO: EXISTE DIFERENÇA?

    A grande diferença está na destruição moral, a capacidade das duas ideologias de tornar o errado certo, de transformar crimes em práticas não só aceitáveis como necessárias. A princípio, nazismo e comunismo se parecem. Ambos justificaram milhões de mortes em nome de um pretenso ideal superior. Mao Tsé-tung defendia que “talvez metade da China tenha que morrer”; para Himmler, o comandante da SS, “tudo o que fazemos deve ser justificado em relação a nossos ancestrais”. A diferença é que os vermelhos foram muito mais longe nessa perversão moral. “O regime comunista não esconde seus crimes, como fez o nazismo; ele os proclama, convida a população a se associar a eles”, diz o historiador (30).

    Uma amostra dessa perversão é o fato de hoje, enquanto o nazismo está devidamente enterrado com seus horrores, ainda há gente, como fazia o historiador Eric Hobsbawm, a justificar as dezenas de milhões de mortes em nome da ideologia. Essas pessoas, justamente elas, são a prova da destruição moral que só o comunismo conseguiu realizar.»

    Notas:

    (1) Jonah Goldberg, Fascismo de Esquerda, Record, 2007, página 82.
    (2) Jonah Goldberg, páginas 457-460.
    (3) Disponível em http://www.schoah.org/shoah/eichmann/goetzen-0.htm. Agradeço a tradução a Cris Bindewald.
    (4) Simon Taylor, Prelude to Genocide: Nazi Ideology and The Struggle for Power, Duckworth, 1985, página 26.
    (5) Adolf Hitler, Mein Kampf, 1925, disponível em http://www.elivrosgratis.com/Down/347/pdfNerdLoad.html, página 208.
    (6) Adolf Hitler, página 447.
    (7) Adolf Hitler, páginas 462 e 463.
    (8) Adolf Hitler, página 448.
    (9) Karl Dietrich Bracher, The German Dictatorship: The Origins, Structure, and Consequences of National Socialism, Penguin Books, 1991, páginas 172 e 173.
    (10) Karl Dietrich Bracher, página 173.
    (11) Jonah Goldberg, páginas 84 e 85.
    (12) Jonah Goldberg, página 87.
    (13) Karl Dietrich Bracher, idem.
    (14) Ian Kershaw, Hitler, Companhia das Letras, 2011, página 256.
    (15) William Shirer, Ascensão e Queda do Terceiro Reich, Agir, 2008, página 201.
    (16) Ian Kershaw, páginas 303 e 304.
    (17) Richard Evans, O Terceiro Reich no Poder, Planeta, 2012, página 427.
    (18) William Brustein, Roots of Hate: Anti-Semitism in Europe before the Holocaust, Cambridge University Press, 2003, páginas 263-335.
    (19) Clauda Koonz, The Nazi Conscience, Harvard University Press, 2005, página 3.
    (20) Heinrich Himmler, em Alain Besançon, página 40.
    (21) Richard Weikart, Hitler’s Ethic, Palgrave Macmillan, 2011, página 18.
    (22) Claudia Koonz, página 5.
    (23) Richard Evans, The Third Reich in Power, Penguin Books, edição Kindle, 2005, posição 4577.
    (24) Götz Aly, Hitler’s Beneficiaries: Plunder, Racial War, and the Nazi Welfare State, Holt, 2008, página 14.
    (25) Claudia Koonz, página 145.
    (26) Götz Aly, página 15.
    (27) Melita Maschmann, Account Rendered: A Dossíer on My Former Self, Abelard-Schuman, 1965, página 12.
    (28) Benjamin Andrey Valentino, Final Solutions: Mass Killing and Genocide in the 20th Century, Cornell University Press, 2013, página 275.
    (29) Alain Besançon, A Infelicidade do Século, Bertrand Brasil, 2000, página 66.
    (30) Alain Besançon, página 60.

  8. Pingback: Hitler e o Socialismo | Rio Revolta

  9. Antonio Jamesson Nascimento 21 de maio de 2014 às 20:06

    Excelente artigo e comentários. Verdadeira lição de como caminhar nos meandros da História recente da constituição do pensamento político

  10. clcipanema@yahoo.com.br 9 de março de 2015 às 10:19

    Copiou um monte de coisas e enrolou pra não dizer que: NAZISMO É DE EXTREMA DIREITA.

  11. Ana Flavia Semão 17 de abril de 2015 às 14:17

    Gente estou urgente precisando da ajuda de vocês. Comente pra mim oque Hitler destorce de Marx a favor do nazismo.e o pensamento de cada um

  12. Bruno Baumler 5 de maio de 2015 às 1:45

    Sei lá, citar Leandro Narloch é meio surreal…

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