Rio Revolta

Análise Política, Histórica, Econômica e Social

Deformadores de Opinião (Parte 2)

O complemento ao texto de ontem ficou muito grande e o converti e reformatei em um novo texto.

***

Ao fim do post ontem, alguém poderia se perguntar “por que então, não votar na Marina, no Plínio ou em qualquer outro partido para presidente? Se o intuito é extirpar as forças retrógradas para fortalecer a democracia, não daria no mesmo?”

A resposta é simples.

Marina Silva e o PV jogaram seu passado no lixo nas recentes alianças dos últimos anos com forças ultra-conservadoras e neoliberais, na contramão da política do mundo. Nós criticamos o PV e a onda ‘verde’ em posts anteriores. Se o PV ainda se tinha alguma ponta de progressismo, as declarações de Gabeira e alianças do partido, terminaram com qualquer dúvida do conservadorismo de suas opiniões. Além disso, o voto em Marina Silva coloca o José Serra no segundo turno, é o cenário perfeito para o jogo da direita. Não satisfaz a candidatura dela ou mesmo suas perspectivas políticas, seu status vai continuar – como sempre foi – de uma candidata periférica, de um partido periférico.

Votar na Marina dará mais um mês e meio da Imprensa tipo mcarthista de lutar contra o ‘perigo vermelho’ (sic), ignorando completamente a realidade brasileira, vomitando sua posição anti-popular e anti-nacionalista.

Quanto ao PSOL, PCB, PCO e PSTU, os outros partidos com candidatos a presidência, todos – sem exceção – da esquerda socialista mais ou menos radicalizada, sofrem de um problema fundamental: democracia liberal não foi feita para partidos radicais de esquerda. Essa discussão vem no interior da esquerda há mais de 150 anos. Partidos atomizados e sectários da esquerda radical não quiseram, ou puderam notar que nunca se mostrarão como alternativa viável dentro do processo eleitoral liberal locke-hobbesiano. Não existe um único caso de partido de esquerda chegar ao poder pelas urnas e conseguir implementar mudanças radicais. Mudanças radicais não combinam com democracia. Democracia Liberal é por excelência um processo conservador.

O evidente desapontamento e desilusão da população frente ao voto liberal-democrático, no Brasil e no mundo, enfatizam a percepção popular do aspecto conservador, elitizado e “nobiliárquico” dos parlamentares escolhidos, sempre em consonância com o poder dominante – qualquer que seja. Neste sentido o PMDB aparece como “tipo-ideal” de partido democrático-liberal, ele “apoiaria Satã se a candidatura fosse viável”. Soma-se isso à natureza fisiológica de qualquer poder volátil, que pretende continuar no poder, levando a frequente taxação – em todo mundo – de que na política “só tem corruptos e lobbistas”. E ainda, coloquemos a opinião quase generalizada entre inúmeros estudiosos da democracia no século XXI,  da evidente falta de representatividade e legitimidade popular efetiva no processo democrático locke-hobbesiano. Esse caldeirão todo somado, apenas reforçam que a via eleitoral não é o principal caminho de partidos radicais de esquerda (nem mesmo dos radicais de direita).

Desta maneira, estes pequeninos partidos radicais acabam por corroborar o sistema eleitoral que por natureza inviabiliza suas candidaturas, tentando pois capturar migalhas parlamentares para esbravejar para as paredes do parlamento, caso eleitos. Caso clássico da Social Democracia alemã nos anos 1920. Sua viabilidade como lideranças nacionais efetivas é nula, pois toda vez que a esquerda radical chega ao poder as forças direitistas divergentes se unem e espantam o “mal-vermelho da democracia”. Sobre uma candidatura viável da esquerda radical parafraseio Lacerda: Ela não pode ser candidata. Se o for, não pode vencer as eleições. Se as vencer, não pode tomar posse no cargo. Se tomar, não pode governar!

Daí a natureza golpista da direita toda vez que a democracia deixa de ser conservadora.

Assim, portanto, votar em qualquer outro partido e não no que realmente pode significar uma expressiva derrota da direita conservadora, mesmo que dando vitória a uma esquerda fisiológica,  mas ainda assim progressista, é fazer o jogo claro da direita.  O importante atualmente é derrotar maciçamente a direita e seus arautos na grande imprensa.

Não se iludam. Não foi por acaso que recentemente, diante da garantida derrota de Serra que a direita começou a usar Marina Silva como base de manobra de sua chapa anti-petista para tirar a vitória do Primeiro Turno e  forçar mais um mês e meio. Não é incomum encontrarmos opiniões dentro e fora do círculo conservador (especialmente fora de São Paulo) subitamente apoiando a candidata “verde”, sendo citada e elogiada por blogueiros e colunistas engajados (sic). Vale lembrar que Marina Silva foi colunista da Folha de São Paulo, aquele jornal que fala da “Ditabranda de 64” e que, segundo Paulo Henrique Amorim, emprestava carros para torturadores no mesmo “governo brando”.

Para a direita, distribuir oxigênio é melhor que distribuir renda; salvar o círculo polar ártico é melhor que salvar o círculo da miséria; abraçar a natureza é melhor que abraçar a pobreza.


A classe média adora, só esqueceram de contar a ela que Marina Silva é evangélica da Assembléia de Deus. Como irão convocar a turma católica do Pátria, Família e Propriedade e da Marcha pela Democracia desta forma…

José Livramento (Rio Revolta)

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Uma resposta para “Deformadores de Opinião (Parte 2)

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