Rio Revolta

Análise Política, Histórica, Econômica e Social

Os EUA, o Irã e a bomba

Teste termonuclear

Curiosa e assustadora a intransigência norte-americana quando ao “programa nuclear” iraniano (entre aspas, mesmo). A última vez que os Estados Unidos acusaram um outro país de ter um perigoso “programa de fabricação de armas de destruição em massa”, rapidamente ressoaram os tambores da guerra e este país, o Iraque, encontra-se hoje destroçado – sendo devidamente reconstruído por empresas norte-americanas. Quanto ao terceiro acusado na época, a Coréia do Norte, mostrou efetivamente ter tal programa – já testou suas bombinhas por aí. Com isso, assegurou sua independência militar, segura de que não será invadida, independentemente das tresloquices que seu guia supremo e timoneiro celestial inventar.

A obsessão atual é o Irã. Acusa-se este país de fabricar armamento nuclear, enquanto na realidade se está de olho em seu petróleo. A infeliz retórica anti-semita do presidente iraniano certamente não ajuda. O que não deve ser confundido com representar o Irã e a sociedade iraniana como anti-semitas; neste tocante, devemos lembrar que há uma comunidade judaica razoavelmente numerosa neste país (calcula-se entre 10 e 40.000 judeus). O judaísmo não é proibido pela Constituição, que o reconhece como uma religião minoritária; nem é oficialmente perseguido pelo Estado iraniano, ainda que a realidade cotidiana nos seja evidentemente impossível de conhecer. O presidente Khatami, anterior ao atual, de linha mais liberal, menos conservadora, era conhecido por visitar centros judaicos iranianos. Acusar o Irã de ser anti-semita é leviano, se não mal intencionado; este talvez possa ser o caso de Ahmadnejad, no entanto.

Retornando à bomba, Rio Revolta é flagrante e inflexivelmente a favor de um mundo sem armas nucleares. Mas acredita que, por uma questão da mais trivial lógica, um mundo sem armas requer que nenhum país as tenha. E existe um seleto clube que as possui e não pretende abrir mão delas – os mesmos que tentam impor a “não-proliferação” ao resto do planeta. Os dois principais deles deram o exemplo há poucas semanas, num fabuloso acordo que reduziu seus arsenais. Rússia e Estados Unidos concordaram em desmontar grande número de ogivas e a partir de algum momento futuro vão possuir apenas em torno de 2.000 ogivas nucleares prontas para utilização cada. E todos nós vamos dormir muito mais tranquilos depois disso.

Rio Revolta acredita que se alguns poucos países possuem tais armas, todos devem ter o direito de possuí-los. Inclusive o Brasil. Principalmente o Brasil, caso queira efetivamente a autonomia e a influência geopolítica na qual hoje tanto se fala. Rio Revolta não se engana com esse “viés republicano e pacífico” da governança global contemporânea e sabe que a História dá voltas. Rio Revolta se escandaliza com a aceitação de tal situação por parte da gigantesca maioria dos Estados nacionais. Rio Revolta lamenta profundamente que 189 paises tenham assinado o “Tratado de Não-Proliferação Nuclear”, cinco dos quais são Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China.

Enola Gay prestes a levar 20 quilotons de democracia ao Japão em 1945.

É chocante e absurdo que 184 Estados nacionais assinaram um tratado que os impede de fabricar uma única ogiva atômica enquanto permite a estas cinco nações continuarem tendo gigantescos arsenais.

E quanto ao perigo do Irã desenvolver armas atômicas, Rio Revolta lembra a todos que só houve até hoje na história um único Estado suficientemente genocida a se mostrar capaz de lançar armas atômicas sobre um outro povo. Brinde a quem acertar.

A.G.

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Uma resposta para “Os EUA, o Irã e a bomba

  1. mariliakyznovst 25 de setembro de 2012 às 2:47

    O oriente médio: medo e beleza, andam juntos. Mas sobre o Estados Unidos, não tenho nada a declarar. Só acho que eles estão brincando com fogo, literalmente. O blog tá muito bom, quando tiver um tempinho, passa no meu? Estou esperando seu comentário.

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