Rio Revolta

Análise Política, Histórica, Econômica e Social

Lobo em Pele de Cordeiro

César Maia e o choro vermelho.

Olá amigos do Rio Revolta,

Agora falaremos de um assunto que por muitos anos revoltou os colunistas do Rio Revolta durante seus anos acadêmicos. A revolta agora é contra um tipo comum encontrado nas universidades cariocas, públicas ou privadas, e que irritam muita gente e enganam os desavisados. Estou falando dos revoltadinhos pequeno-burgueses do tipo “fui ativista político durante a faculdade e agora tentarei ser vereador”. Inclusive penso que este assunto seja comum em outras universidades pelo Brasil, mas como estamos no Rio, escreverei com a experiência das universidades cariocas.

Todos que frequentam o meio universitário conhecem bem o tipo. Eles tem fala mansa e bem articulada. É aquele “estudante” profissional, mas que estudar mesmo faz pouco. Pega uma matéria por período, se forma em centenas de semestres – quando se forma, pois muitos trancam -, é especialista em interromper aulas para falar sobre os tópicos da sua chapa na eleição do corpo estudantil ou quanto suas propostas são superiores em relação a outra chapa de semelhantes proto-ativistas. Enquanto isso é comum observarmos em volta da universidade guetos que mal tem assistência/cobertura do Estado que eles pretendem tomar; ou mesmo quando a própria universidade carece de recursos primários como limpeza, elevadores e segurança (a UERJ vem a mente aqui). Também é comum vê-los jogando sinuca no DCE, aglomerados em choppadas ou no bar mais próximo discutindo a supremacia do “comunismo” chinês e o obviedades aparentemente engajadas como os EUA e o petróleo no Oriente Médio. O nível de “seriadade” é tão grande que não é raro encontrá-los no interior da faculdade fumando maconha. Deixo claro que sou a favor da liberalização das drogas, mas defendendo ou não o uso da cannabis, o seu uso dentro das instalações da universidade é intolerável em qualquer contexto, legal ou ilegal, como o é o do álcool na maioria das universidades e do tabaco em algumas. É uma questão de seriedade.

Considero importante ressaltar que não critico diretamente as eleições universitárias, elas são fundamentais para a existência de um diálogo entre corpo estudantil e corpo docente e para debate das questões nacionais envolvendo o mundo universitário. Porém, existe um problema de desinteresse similar ao que temos com nossas eleições gerais para os biltres de Brasília. Na universidade, no entanto, ainda existe um agravante: a grande maioria das pessoas não faz idéia das responsabilidades do Corpo Estudantil, qual sua função, poder, estrutura e relação com a reitoria da instituíção. Se no geral as pessoas já são negligentes quanto ao seu senador ou prefeito que votaram, ambos cargos que – supõe-se – sabemos qual o papel deles na estrutura de poder, o que dirá num ambiente transitório (para muitos) que é a universidade. Poucos dão alguma atenção. De fato, existe um vácuo educativo para os alunos: nos meus cinco anos de faculdade, raríssimos foram os debates sobre a função prática e o poder real que o DCE dentro da universidade e isso eu tive de me esforçar como aluno para tentar saber mais a respeito, 90% dos estudantes não se dá a esse trabalho.

Esclareço também, que minhas críticas não se direcionam a ativistas universtários sérios. Estes conheci alguns, altamente respeitáveis e exemplos que admirei e muitas vezes segui. É emblemático notar que nenhum destes seguiu carreira política partidária, tentando ser outro nobre no Congresso. Durante a faculdade e depois até, faziam seu trabalho silencioso, estudando com afinco, frequentando aulas, participando pragmaticamente do mundo acadêmico, descobrindo os pormenores e dificuldades da tarefa hercúlea que resolveram escolher: tornar o mundo um lugar mais justo. Estes, são os que realmente fazem as mudanças, que fazem a roda da história mudar. De maneira alguma são eles os que me irritam.

Esses proto-revoltosos, se utilizam da universidade como palanque eleitoral para cimentar sua futura carreira política, muitas vezes inclusive já possuem parentes que adentraram o meio político. No geral, no entanto, sua carreira política começa em algum inexpressivo partido de extrema esquerda e vai gradativamente rumando para a direita, até acabar como José Serra, Lindberg Faria, Fernando Gabeira ou o exemplo de mudança radical, César Maia. Seu conteúdo político é bastante superficial e passa da defesa cega de uma revolução bolchevique no Brasil, soltando clássicos clichês de Marx e Lenin – embora tenha lido muito pouco dos dois – até a defesa da Luta Armada, isso quando o mais próximo que chegaram de uma arma provavelmente foi a do segurança da boca onde volta e meia vão comprar maconha quando o delivery tá em falta. Aliás, falando de armas, não que a nossa casta política e governante não mereça umas boas rajadas, isso merecem sim, mas Luta Armada no Brasil, maoísmo e foquismo tupiniquim são de uma ingenuidade primária, ativismo de colegial.

Não raro também, é ver estes pseudo-ativistas, muitos anos depois, esquecerem completamente o que pareciam pregar, inclusive indo diretamente contra seus antigos ideais, chegando até a criação da frase apócrifa de FHC: “esqueçam o que eu escrevi”. FHC por sinal, exemplifica muito bem a ingenuidade dos desavisados de sua época (e ainda de hoje). Qualquer pessoa que tenha lido e compreendido o que os livros que o consagraram como intelectual, todos do final dos anos 60 e início de 70, a saber: “Dependência e Desenvolvimento na América Latina”, “Mudanças Sociais na América Latina” e “O Modelo Político Brasileiro”; pode afirmar sem a menor dúvida que ele sempre foi pelego, defensor dos interesses de elites nacionais e estrangeiras e do capitalismo dependente brasileiro, nas claras palavras de Mario Maestri: suas concepções sempre foram “conservadoras, antipopulares e pró-imperialistas” (Maestri) Uma esquerda altamente imbecilizada o seguiu e uma direita ainda mais imbecil o baniu.

Assim, concluo a minha exposição destes farsantes pseudo-revoltados. Reafirmo minha intenção de expor sua face ridícula e mostrar que eles não enganam a todos. Sua mente combativa e discurso de esquerda são todos da boca pra fora e em poucos anos é fácil notar suas reais intenções oportunistas em suas posições durante sua vida acadêmica. O lobo muitas vezes está vivendo entre os cordeiros.
J.L.

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