Rio Revolta

Análise Política, Histórica, Econômica e Social

Ir e vir no Hell de Janeiro

Caos no trânsito

Caos cotidiano.

Aproveito o acidente recente (16 de Abril) do trem da SuperVia para escrever sobre algo que há muito me incomoda: a lambança que é o “ir e vir” no Rio de Janeiro.

O trânsito é uma merda, os ônibus são uma merda, os trens são uma merda, o metrô – que agora realmente é utilizado – também se tornou uma merda. Em todo lugar é uma lambança só, nem como pedestre você escapa. São carros fechando a passagem em cima da faixa, parados nas calçadas, estas por sinal em geral mal conservadas, barulho ensurdecedor de buzinas e superposição de motores barulhentos, ônibus fechando cruzamentos importantes, ruas e trajetos mal desenhados, guardas de trânsito fazendo figuração, ou melhor, apenas alertas para aplicação de multas. Organizar que é bom, nada.

Você pega um ônibus, que são caminhões velhos adaptados com motores recondicionados e de baixa qualidade, e nota que é impossível passar um dia “indo e vindo” no Rio, sem notar o descaso completo do transporte público carioca. Aliás, de público mesmo só os usuários, pois é privatizado e muito lucrativo para os patrões, constituindo dos lobbies mais poderosos da cidade. É a velha tática de organização econômica Público-Privada brasileira: o Estado entra com o dinheiro e as Empresas entram captando os lucros, socializando os prejuízos com a população e privatizando os lucros.

Esse velho assalto vil nós já vimos em outras situações, mas no transporte público é mais descarado, chega a demonstrar o quão otários somos todos nós. O exemplo mais evidente desta situação foi a implementação do metrô, aquele mesmo que o Rio Revolta disse ironicamente uns dias atrás: o mais abrangente, eficiente e barato do país [Coff! Coff !Coff! tosse para disfarçar a mentira]. Esta merda subterrânea sobre trilhos levou mais de 20 anos para ter uma malha mínimamente viável e bilhões dos contribuintes quando ‘do nada’ – nos Anos de Saque e Pilhagem – o governo em nome da eficácia, bom serviço, modernidade e outras balelas neoliberais para pegar otário, privatizou uma empresa lucrativa, organizada e com pouquíssimas reclamações que era o Metro carioca. Alguns podem pensar “é mais o metrô era pequeno e precisava de expansão”. Lógico, concordo, mas aí é que nós contribuintes entramos com a bunda e o alto patronato entra com a pica: o governo continuou responsável por todos os investimentos de expansão. Que conveniente, “nós entramos com o dinheiro e vocês captando os lucros”.

Não muito diferente é a situação dos trens. Eu diria que é ainda pior que o ônibus. A falta de manutenção gritante, insegurança, superlotação – SEM ar condicionado – , desconforto, abuso e claro uma malha altamente duvidosa (mas problema ferroviário não é exclusividade carioca, o Brasil todo é uma merda neste quesito). Além de tudo ainda corre-se o risco de levar chicotada dos “bem treinados” agentes de segurança, capatazes modernos prontos para açoitar e oprimir a população.

Vale notar que o processo de pilhagem dos brasileiros também ocorreu nos trens do rio. Sendo largamente utilizado até fins de 1970 e anos 80, o conhecido esquema de “Sucatear e Vender” tornou rapidamente o trem que transportava 1 milhão de pessoas por dia numa minhoca de merda sobre trilhos. É curioso lembrar que o sistema de trilhos foi vendido por 280 milhões de dólares, sendo que destes apenas 30 milhões de dólares ficariam com o estado o resto (250) a empresa se comprometia a investir nos próximos 10 anos. PORRA! Na época aproximadamente 150 mil pessoas usavam o trem diariamente (mas com potencial já instalado de até 1 milhão). Se a empresa não fizesse absolutamente nada, com o preço da passagem da época (+- 1,50 dólar; a passagem hoje é bem mais cara) seriam 225 mil brutos por dia e em apenas 3 anos ela arrecadaria os 250 milhões que ela precisaria gastar em 10 anos. Porém, a pica ainda é maior, pois foi com boa parte de nosso dinheiro público que se expandiu, reparou, comprou novos trens e modernizou-se tudo. Novamente entramos com a bunda e o piratas modernos entraram com o pau.

Porém, voltemos ao assunto. O transporte público do rio é uma merda, mas não é só a inoperância, má fé e pilantragem que o tornam assim. O carioca é muito mal educado mesmo. Fechar cruzamento? Nossa especialidade. Parar na calçada? Somos profissionais nisso. Buzinar? Também. É impossível pegar um ônibus no Rio que pare corretamente nos pontos (no recuo) durante o dia todo ou que o motorista fica naquela anda-pára-acelera-freia que frequentemente derruba velhinhos e senhoras por aí.

Os carros, propriedades exclusivas da classe mérdia carioca, são intocáveis, senhores de tudo e todos, entidades supremas no cosmos urbano carioca. Páram em cima da faixa, buzinam, fecham cruzamento. É raro encontrar uma viva-alma que dê passagem para você sair de uma garagem ou de uma vaga. E a fila dupla? irritante. Existem pontos crônicos de fila dupla que parece que nenhuma autoridade ver (provavelmente não lêem os emails periódicos que mando para a ouvidoria da prefeitura…): no centro tem a Rua México, em frente a Secretaria de Estado de Saúde. Uma merda homérica. No reduto das madames a fila dupla em frente a Pizzaria Guanabara e aqueles restaurantes metido-a-besta no final do Leblon. No Grajaú a lambança conhecida é na Praça Verdun. Em Copa existem vários pontos, mas em frente a supermercados e lojas comerciais é gritante. Em Botafogo são os milhões de carros parados para buscar filhinhos no colégio. O mais irritante é a São Clemente em frente a dois riquíssimos colégios: Santo Inácio e Corcovado. Existem milhões de outros pontos, mas deu para ter uma idéia, basta andar pela rua e ficar revoltado.

Enfim, este assunto rende muita revolta e posso voltar nele no futuro. Não mencionei as falcatruas das empresas de ônibus, a merda que é a Avenida Brasil, o tosquíssimo asfalto em frente ao Palácio do Governo em Laranjeiras, as famílias com quatro carros, o embuste do ‘carro popular’, a Lei Seca, enfim! Muita revolta ainda vai rolar por aqui neste assunto.

J.L.

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