Rio Revolta

Análise Política, Histórica, Econômica e Social

O Prefeito (de Niterói), as chuvas e o tsunami

Rio Revolta também cruza a ponte e usa suas escaramuças contra a inoperaçância niteroiense.

Frase do respeitabilíssimo Sr. Prefeito de Niterói

“Eu não fujo às minhas responsabilidades, eu não me omito. Mas ninguém responsabilizou, por exemplo, os governos da Ásia pelo tsunami, que matou centenas de milhares de pessoas, nem responsabilizou a Prefeitura de Santiago, no Chile, pelo terremoto. E o povo de Niterói sabe que o que houve foi um desastre natural, como se fosse tsunami ou terremoto, algo impossível de se prever”

De fato, Sr. Prefeito de Niterói, o senhor não pode ser responsabilizado pelas chuvas. O Sr. Não tem culpa pelo volume colossal de chuvas que caiu em 24 horas na área de jurisdição do município de Niterói. Da mesma forma, Michelle Bachelet não teve culpa pelo terremoto de 8.8 graus no Chile; René Préval não teve culpa pelo terremoto de 7.0 graus no Haiti.

Mas talvez, quem sabe, ocasionalmente, Michelle Bachelet e os antecessores presidentes do Chile possam ser louvados por terem preparado seu país a ponto de resistir à um terremoto dessa potência com o espantoso número de apenas 500 mortes, aproximadamente. E talvez, quem sabe, ocasionalmente, René Préval e seus antecessores podem ser responsabilizados pelo total despreparo que fez com que um terremoto centenas de vezes mais fraco que o chileno matasse o assombroso número de 230.000 pessoas.

A responsabilidade dos governantes não pode ser evidentemente medida pela frequência ou potência de eventos naturais catastróficos; mas ela deve, ou melhor, TEM QUE ser medida pelo número de vítimas que esses eventos causam. É inconcebível que em 2010, com todos os recursos humanos e econômicos e a tecnologia disponíveis, morram no estado do Rio de Janeiro mais de 200 pessoas em função de “chuvas excepcionais”. O problema não foi a chuva, mas sim, a situação vergonhosa e precária de habitação de enorme parte da população carioca e fluminense. Situação para a qual governos e elites nunca tem soluções, nem responsabilidades.

Fosse o Brasil um país muito sério, ninguem haveria morrido, pois todos morariam bem, ou ao menos em locais seguros. Fosse o Brasil um país apenas um pouco sério, Sr. Prefeito de Niterói, você e seus antecessores estariam agora sendo processados por omissão e homicídio culposo pelo Ministério Público e estariam a caminho da cadeia (com a devida companhia do Governador do Estado e do Prefeito do Rio de Janeiro, cúmplices no seu crime), de onde não deveriam por muito tempo sair.

A.G.

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